Uma das principais preocupações do governo Lula em ano eleitoral, o superendividamento das famílias brasileiras reduz quase pela metade o impacto do aumento da renda sobre o consumo, segundo estudo do banco Daycoval. O levantamento aponta que, em cenários de baixo endividamento, cada 1 ponto de crescimento da massa salarial gera alta de 0,29 ponto percentual no consumo. Já em contextos de alto endividamento, esse efeito cai para 0,17 ponto, uma redução de cerca de 40%. Os pesquisadores usaram um modelo econométrico para identificar o ponto em que a dívida passa a limitar o consumo. Esse patamar ocorre quando o endividamento supera cerca de 39% da renda das famílias. No Brasil, esse índice subiu de 17% em 2005 para 49,7% em janeiro de 2026, segundo o Banco Central. Acima desse nível, a renda perde força como motor do consumo, e o crédito ganha mais relevância. Sem o superendividamento, o consumo das famílias teria crescido 10,8% desde 2023, e não 7,8%. Apenas em 2025, a expansão poderia ter sido 3,6 pontos percentuais maior. Mesmo com renda e emprego em alta, o consumo responde cada vez menos.
O estudo também mostra que, em períodos de alto endividamento, as famílias recorrem mais ao crédito para manter o padrão de vida. Parte relevante da alta da dívida nas últimas décadas vem do crédito imobiliário, especialmente entre 2010 e 2015 e após 2021. Para reverter o cenário, especialistas apontam a necessidade de medidas para reduzir o endividamento. A queda dos juros ajuda, mas não garante redução do estoque de dívidas. Hoje, as famílias destinam 29% da renda mensal ao pagamento de dívidas, maior nível em 20 anos. Desse total, 10,38% vão para juros e 18,81% para o principal. Linhas de crédito mais caras têm pesado mais sobre a população de baixa renda. Para enfrentar o problema, o governo prepara um novo programa de renegociação de dívidas. A proposta prevê descontos amplos e refinanciamento com juros menores. O governo também estuda oferecer garantias para incentivar bancos a renegociar. Um fundo pode ser criado para facilitar acordos com famílias superendividadas. A ideia é permitir acesso a crédito mais barato e com prazos maiores. Assim, dívidas acumuladas poderiam ser pagas sem comprometer excessivamente a renda.
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