A Polícia Federal solicitou a abertura de inquérito contra o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), para apurar possível troca de favores com o juiz federal Macário Júdice. O pedido se baseia em diálogos encontrados no celular do magistrado, apreendido em investigação sobre sua atuação com o presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil). Ambos foram indiciados pela PF. Em nota, Casagrande afirmou que a conversa foi “institucional e republicana” e realizada por aplicativo por não haver “nada sigiloso ou ilícito”. A reportagem procurou o advogado Fernando Fernandes, que representa Macário, mas não houve resposta. A PF aponta dois diálogos como base do pedido. Em julho de 2024, Casagrande enviou a Macário, juiz do TRF-2, resumo de ação de improbidade contra o prefeito de Montanha (ES), André dos Santos Sampaio (PSB). O governador perguntou se deveria ligar ou procurar pessoalmente o relator para pedir agilidade no julgamento.
Macário se dispôs a conversar com o colega e solicitou o envio de memoriais do caso. Dias depois, informou que o relator aguardava contato. Em agosto, o juiz comunicou que “o assunto estava resolvido”. Segundo a PF, o relator deferiu pedido do prefeito aliado do governador. Outra troca envolve solicitação de Macário para acelerar a liberação de um policial penal para seu gabinete. A PF afirma que diálogo posterior indica que Casagrande teria condicionado o atendimento a outra demanda. Para a corporação, as mensagens sugerem ambiente de reciprocidade e possível troca de favores. Casagrande reiterou que buscou apenas agilizar a tramitação do processo para encerrar indefinição jurídica e política no município em período pré-eleitoral.
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