O governo Javier Milei, que teve início na Argentina, em dezembro/2025, prometeu implantar substanciais mudanças na economia local. O presidente liderou e implementa proposta de campanha denominada de "Plano Motosserra", cortando gastos e normas burocráticas. Empresas públicas foram privatizadas, aplicadas demissão em massa, além de derrubados os congelamentos de subsídios dos serviços de transporte público, das contas de água e luz. O novo governo buscou liberalização da economia, provocando entrada de dólares no país. A inflação ainda não foi controlada, mas bastante diminuída do alarmante índice de 211,4%, registrada no final de 2023. No mês de dezembro, apesar da diminuição, ainda registrava o alto percentual de 31,5%. Em dezembro/2017, batia em 24,8%, enquanto no ano de 2024 o índice foi de 117,8%. O nível de pobreza diminuiu para 36,3% no terceiro trimestre de 2025, registrando 45,6% em 2024. A vitória de Milei reside no superávit de 357 bilhões de pesos em novembro, em torno de US$ 337,43 milhões; ou seja, arrecadou mais do que gastou.
Juntamente com os números conquistados e alardeados por Milei houve reveses como o grande aumento do desemprego e da pobreza, causando novos preços nos produtos alimentícios, no transporte, na energia, água e outros itens de primeira necessidade. O professor de economia da Universidade de Buenos Aires, Carlos Bermani, explica: "A eliminação dos subsídios de luz e gás geraram um aumento muito grande em contas essenciais para famílias e comerciantes. Isso gerou um repasse nos preços e pressão sobre toda a inflação". Basta saber-se que, na posse de Milei, o país registrava 41,7% de pobres, ou seja, 12,3 milhões; no final de um semestre do governo os pobres já eram 15,7 milhões, portanto 52,9%, segundo dados do Indec. Por outro lado, o produto interno bruto, PIB, caiu no percentual de 2,1%, se comparado com o mesmo período anterior. As projeções do FMI estampam o final do ano que se encerrou em 3,5%. A popularidade do presidente é alta, apesar de muitas contestações.
Quem visita Buenos Aires sente os reflexos perniciosos da mudança de governo. A classe média, como sempre, carrega os malefícios das alterações, ainda que no futuro signifique algum melhoramento. O comércio popular sofre com as propostas governamentais. Na capital argentina, isso é constatado pela simples visita a uma das ruas da cidade que mantém o comercio voltado para o "povão". Com efeito, nessa via bastante procurada pelos turistas para compras, a rua Flórida, mostra-se a diminuição da frequência popular. A procura de produtos nessa via continua, mas sem a constância registrada em anos passados. Inúmeras lojas na Flórida foram fechadas e os pontos comerciais estão disponíveis para alugueres. Essa desativação de muitas lojas causou percentual alto de desemprego. O visitante anda em cada quarteirão e constata as placas, oferecendo o ponto para terceiros. Com a grande desvalorização do peso argentino, o dólar assumiu relevância como meio para proteger a população. Essas medidas do governo Milei obtiveram alguma desafogo, diante das últimas pesquisas, apontando o percentual de 51% de aprovação do governo. Os protestos contra o governo não suspenderam e ainda se respira com dificuldade; em cartazes, os manifestantes continuam reclamando mudanças.
Punta del Este, 18 de fevereiro de 2026.
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