Até pouco tempo desconhecido do público, o Banco Master, uma pequena instituição financeira, tornou-se o centro de uma grave crise envolvendo suspeitas de fraudes bilionárias, com impactos que alcançam a política, o Banco Central (BC), o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF). O economista Cleveland Prates Teixeira afirma que o caso é preocupante pela capacidade de um banco pequeno “contaminar” o ambiente institucional. O dono do banco, Daniel Vorcaro, foi preso preventivamente em novembro e hoje usa tornozeleira eletrônica. Após a operação da Polícia Federal, o BC determinou a liquidação do banco para evitar riscos ao sistema financeiro. A crise se agravou quando o TCU anunciou uma inspeção para apurar a decisão do BC, gerando temor de interferência política em decisões técnicas. Especialistas avaliam que o TCU não tem competência para revisar a atuação regulatória do Banco Central, o que poderia intimidar reguladores e incentivar bancos a assumir riscos excessivos.
Houve ataques ao BC nas redes sociais, levando a PF a investigar possível financiamento de influenciadores. Em reação, entidades do sistema financeiro publicaram nota de apoio ao Banco Central. Diante da repercussão, o ministro do TCU suspendeu a inspeção e levou o tema ao plenário. O caso ganhou ainda mais destaque por envolver ministros do STF. Dias Toffoli assumiu a relatoria de um recurso do banco e decretou sigilo, enquanto surgiram notícias sobre relações indiretas de ministros com advogados e contratos ligados ao banco. Para Teixeira, esses ministros deveriam se declarar suspeitos para preservar a credibilidade institucional. Segundo o economista, o maior risco sistêmico não é apenas financeiro, mas regulatório: interferências políticas podem enfraquecer a atuação técnica do Estado, gerar insegurança jurídica e incentivar más práticas no mercado.
Duas empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli (STF) tiveram participação de um fundo conectado à rede de fundos investigada no caso do Banco Master, segundo documentos analisados pela Folha. O Arleen Fundo de Investimentos manteve participações na Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro (PR) ligado à família do ministro, e na DGEP Empreendimentos, incorporadora que tinha como sócio um primo de Toffoli. A ligação com o caso Master ocorre por meio de uma cadeia de fundos. O Arleen foi cotista do RWM Plus, que recebeu recursos de fundos ligados ao Maia 95, apontado pelo Banco Central como parte da suposta teia de fraudes do banco de Daniel Vorcaro. O Arleen não é investigado. Todos os fundos da cadeia tinham como administradora a Reag, investigada na operação Carbono Oculto, por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. A Reag não comentou o caso. Toffoli, relator do inquérito sobre o Banco Master, não respondeu aos questionamentos da reportagem. Parentes do ministro também não se manifestaram. A defesa de Vorcaro negou irregularidades e afirmou que a reportagem cria conexões inexistentes.
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