A prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, apresentada como ofensiva contra o crime organizado, tende a ter impacto limitado —ou nulo— sobre o Tren de Aragua (TDA), facção venezuelana que se expandiu pela América Latina. Pesquisas indicam que o grupo não atua como braço direto do regime, mas se fortaleceu com a colaboração de militares e a omissão interessada do Estado venezuelano. O tráfico internacional de cocaína funciona hoje em uma estrutura concentrada, com poucos atores centrais controlando cadeias de valor. Nesse cenário, o PCC ocupa posição estratégica e tem forte presença na Venezuela, fornecendo infraestrutura para grupos locais exportarem drogas, sobretudo para a Europa. Há evidências de participação de militares venezuelanos no tráfico, além de corrupção de agentes públicos em diversos países da região e na Europa. O TDA surgiu no presídio de Tocorón e tornou-se uma organização transnacional, acompanhando os fluxos migratórios venezuelanos desde 2018. Trata-se de uma facção hierárquica, violenta, com domínio territorial e diversificação criminal.
Peru e Chile, sem histórico desse tipo de violência, tornaram-se terrenos férteis. No Chile, sequestros cresceram mais de 200%. Já em países como Brasil, Colômbia e México, o TDA se associou a organizações locais, operando como franquia. A facção atua em extorsão, sequestro, microtráfico, exploração sexual e tráfico de pessoas. Seu fortalecimento está ligado a políticas penitenciárias falidas e à tolerância estatal à governança criminal. Especialistas avaliam que a prisão de Maduro não enfraqueceria a facção, já que a estrutura política e militar do país permanece contaminada. Sem instituições democráticas funcionais, o combate ao crime organizado segue inviável.
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