Três técnicos e peritos criminais ouvidos pela Folha contestam a explicação do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que negou que mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro tenham sido enviadas ao magistrado. Em nota divulgada ontem, 6, o gabinete afirmou que os prints das mensagens encontrados no telefone de Vorcaro “estão vinculados a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionados” a Moraes. As mensagens teriam sido enviadas por meio de prints de anotações feitas no bloco de notas do celular e encaminhadas em formato de visualização única, que desaparece após ser vista. Segundo o comunicado, os arquivos estariam na mesma pasta de outros contatos no computador de Vorcaro, o que, para o gabinete, demonstraria que não estavam associados ao ministro. A jornalista Malu Gaspar, de O Globo, revelou que Vorcaro enviou mensagens a Moraes no mesmo horário em que as notas foram registradas. Teriam sido nove mensagens trocadas via WhatsApp entre 7h19 e 20h48 de 17 de novembro. A troca foi confirmada pela Folha. Especialistas afirmam, porém, que a organização de arquivos após a extração de dados de um celular não permite identificar automaticamente o destinatário de mensagens. No WhatsApp, os metadados ficam divididos em pastas distintas para mídias enviadas, fotos de perfil e contatos. Já o software Cellebrite, usado pela polícia para extrair dados, reúne os arquivos em uma única pasta.
Os dados da CPI do INSS, por exemplo, foram organizados por índice MD5, um código técnico que gera sequências aleatórias para identificar arquivos, sem relação temática. Isso pode fazer com que arquivos diferentes apareçam lado a lado por coincidência, sem ligação entre os contatos. Peritos dizem que a identificação do destinatário depende dos registros internos do WhatsApp, que conectam cada arquivo ao chat específico, ao número do contato e ao horário do envio. No caso das mensagens atribuídas a Moraes, foi possível relacionar o horário dos prints ao momento em que teriam sido enviados. As imagens estão no formato PNG, comum em capturas de tela no iPhone. Especialistas em direito digital destacam que é difícil provar juridicamente que essas capturas foram exatamente as enviadas em visualização única. Assim, a coincidência de horários serve apenas como indício circunstancial, o que pode abrir espaço para questionamentos das defesas.
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