Pesquisar este blog

sexta-feira, 6 de março de 2026

POLÍCIA PRENDE ADVOGADO E OAB PEDE INVESTIGAÇÃO DE ABUSOS

OAB denuncia que advogado foi agredido e algemado por policiais em  delegacia do DFA prisão de um advogado na porta da 26ª Delegacia de Polícia, em Samambaia Norte, trouxe à tona informações sobre a situação jurídica de Cláudio Martins Lourenço. Ele foi detido na terça-feira (3/3) após, segundo a Polícia Civil do DF (PCDF), descumprir ordem para sair da unidade por motivos de segurança. Posteriormente, vieram a público denúncias e investigações nas quais aparece como suspeito de crimes graves, como estupro, ameaças e violência doméstica. Cláudio esteve na delegacia para atender um cliente. Segundo policiais, o delegado plantonista determinou a saída temporária das pessoas do local porque um preso estava alterado e chutando objetos na carceragem. Diante da possibilidade de uso de gás de pimenta para conter o detido, a evacuação foi adotada como medida preventiva. De acordo com os agentes, o advogado se recusou a sair, teria xingado os profissionais e acabou sendo contido com uso proporcional da força. Ainda segundo as testemunhas, ele se negou a informar o nome e disse estar em situação de rua. No dia seguinte, o presidente da OAB-DF, Paulo Maurício Siqueira (Poli), e o diretor de Prerrogativas, Newton Rubens, reuniram-se com o governador Ibaneis Rocha para pedir medidas urgentes, como o afastamento cautelar dos policiais envolvidos e a apuração rigorosa do caso. O governador determinou investigação. Em nota, a OAB-DF afirmou que atua na defesa das prerrogativas da advocacia e na apuração de possíveis abusos de autoridade. A entidade destacou que essas prerrogativas não são privilégios pessoais, mas garantias do direito de defesa e do Estado Democrático de Direito. A Ordem também comentou as denúncias envolvendo Cláudio. 

O advogado aparece como investigado em 14 inquéritos policiais e nove termos circunstanciados. Dois resultaram em condenações. Os registros vão de 2002 a 2025, sendo nove por estupro. A primeira denúncia ocorreu em 2001, quando uma garota de programa o acusou de estupro. Na época, ele era soldado da Polícia Militar. Em 2002, outra mulher relatou ter sido abordada em um ponto de ônibus, ameaçada com arma e estuprada em um local afastado. Em 2025, novos registros foram feitos por agressão contra mulheres, e ele chegou a ser preso por descumprir medidas protetivas. A OAB informou que, quando Cláudio se inscreveu na entidade, apresentou certidões negativas da Justiça. Diante das novas informações, os órgãos competentes da Ordem serão acionados, garantindo contraditório e ampla defesa. A entidade confirmou também que há processo em tramitação no Tribunal de Ética e Disciplina (TED), que corre sob sigilo. O Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do DF (Sindepo) afirmou que a ordem de evacuação da delegacia foi legal e necessária diante do risco na carceragem. Segundo a entidade, o advogado descumpriu deliberadamente a determinação e recebeu voz de prisão por desobediência. O sindicato também declarou que prerrogativas da advocacia não se sobrepõem à autoridade legal do delegado em situações de risco e prestou apoio institucional ao delegado responsável pela unidade. Já a defesa de Cláudio afirmou que há tentativa de desviar a atenção das agressões sofridas pelo advogado e por seu cliente dentro da delegacia. Segundo os advogados, o cliente teria sido violentamente agredido por policiais, com registros fotográficos das lesões encaminhados à Corregedoria da PCDF. A defesa sustenta que Cláudio foi preso após denunciar essas agressões, sendo algemado e tendo o celular apreendido de forma arbitrária. Os advogados pedem investigação rigorosa, afastamento cautelar dos agentes e responsabilização por possíveis abusos.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário