Quase 50 anos após a revolução dos aiatolás, o príncipe Reza Pahlavi anunciou que quer liderar uma transição no Irã — cenário visto como improvável por especialistas. Entre a memória do regime do xá, a repressão da república islâmica e uma sociedade dividida, o país revive a encruzilhada de 1979. Após o início dos bombardeios, Pahlavi gravou mensagem dizendo que a ajuda prometida pelos EUA ao povo iraniano havia chegado. Filho do último xá, Mohammad Reza Pahlavi, ele afirma estar pronto para voltar e garantir uma transição estável. Exilado desde os 18 anos, apresenta-se como alternativa para um país em crise. Seu principal apoio vem da diáspora iraniana; dentro do Irã, o respaldo é limitado. Analistas avaliam que um retorno sob apoio militar estrangeiro não lhe daria legitimidade. O regime do xá projetava imagem de modernização e costumes ocidentais. Mas era uma monarquia absolutista, com polícia política, prisões e tortura. A dinastia Pahlavi chegou ao poder em golpe militar há cerca de 100 anos. Em 1953, com apoio britânico, o xá depôs o premiê que defendia a nacionalização do petróleo. O episódio ampliou a concentração de poderes na monarquia. Em 1979, a Revolução Islâmica uniu esquerda, democratas e religiosos contra o xá. A crise dos reféns na embaixada americana evidenciou disputas internas.
A república islâmica se consolidou em 1982, sob liderança do aiatolá Ruhollah Khomeini. O líder supremo passou a concentrar poder sobre as Forças Armadas. O presidente é eleito, mas precisa de aprovação religiosa. Com a morte de Khomeini, assumiu o aiatolá Ali Khamenei. Khamenei enfrentou inimigos externos e intensificou a repressão interna. A violência de gênero se tornou marca do regime pós-1979. Em 2022, a morte da jovem curda Mahsa Amini gerou protestos nacionais. A repressão deixou milhares de mortos. As celebrações após a morte de Khamenei refletem esse desgaste. Especialistas questionam se o país pode evitar nova ditadura. Há setores seculares e pluralistas que defendem transição democrática. Mas isso dependerá de um processo inclusivo e legítimo. O futuro do Irã segue indefinido diante da guerra e das disputas internas.
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