O Fantástico teve acesso a imagens e áudios inéditos sobre o caso da soldado da Polícia Militar Gisele Alves, baleada na cabeça no apartamento onde morava com o marido, no Brás, em São Paulo, em 18 de fevereiro de 2026. As gravações mostram ligações para serviços de emergência e imagens das câmeras do prédio. O primeiro pedido de socorro foi feito pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Neto, que afirmou à PM que a esposa havia se matado com um tiro na cabeça. Ele também ligou para o Corpo de Bombeiros e disse que Gisele ainda estava respirando. Câmeras mostram o oficial no corredor do prédio por volta das 8h, ao telefone. Bombeiros chegaram às 8h13 e um socorrista relatou ter achado a cena estranha, fotografando o local. Segundo ele, a arma estava encaixada na mão da vítima de forma incomum em casos de suicídio. Outros pontos levantaram suspeitas: sangue já coagulado, ausência do cartucho da bala e o tenente-coronel estar seco, apesar de dizer que estava no banho.
Áudios gravados mostram o oficial relatando crises no casamento e a intenção de se separar. Ele afirmou ter ouvido o disparo enquanto tomava banho e encontrado a esposa caída. Gisele foi reanimada pelos socorristas e retirada do prédio às 8h55 ainda com vida. O marido permaneceu no corredor ao telefone com superiores. O oficial também ligou para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, que chegou ao local às 9h07 e subiu ao apartamento. Testemunhas dizem que, mesmo orientado a não fazê-lo, o tenente-coronel teria tomado banho novamente e voltou com cheiro de produto químico. Laudos indicam que a cena não foi preservada corretamente, o que dificultou a perícia. Um vídeo mostra o apartamento desorganizado, com panos e produtos de limpeza no chão. Uma vizinha afirmou ter ouvido um disparo às 7h28, mas o pedido de socorro só ocorreu às 7h57, cerca de 29 minutos depois. A defesa de Geraldo Neto diz que ele não é investigado e que colabora com as autoridades. Já o desembargador afirma que foi ao local como amigo do tenente-coronel.
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