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sexta-feira, 6 de março de 2026

CORRUPÇÃO NA POLÍCIA CIVIL PAULISTA

MPF e PF apuram corrupção na Polícia Civil de SPUm áudio obtido pela GloboNews revela tratativas para pagamento de propina envolvendo advogados e policiais civis de São Paulo, investigados na Operação Bazaar, deflagrada ontem, 5. A ação foi realizada em conjunto pelo Ministério Público de São PauloPolícia Federal e pela Corregedoria da Polícia Civil de São PauloA operação apura um esquema de corrupção sistêmica e lavagem de dinheiro dentro de setores estratégicos da Polícia Civil paulista. Em uma conversa analisada pelos investigadores, o advogado Guilherme Nasser negocia com o doleiro Cléber Azevedo dos Santos o pagamento de R$ 50 mil em propina para interromper um inquérito policial aberto em outubro de 2022. No áudio, Nasser afirma que conseguiria resolver o problema devido à proximidade com um delegado. Segundo as investigações, ele se referia a João Eduardo da Silva, que na época atuava no 16º Distrito Policial, na Vila Clementino, e atualmente estava no 35º DP, no Jabaquara. O delegado foi preso na operação. Promotores apontaram que documentos importantes, como intimações e relatórios do Coaf, não foram anexados ao inquérito, caracterizando o que chamaram de “investigação de gaveta”, usada para obtenção de vantagem indevida.

Outro investigado mencionou, em conversa, a cobrança de até R$ 700 mil para interromper uma apuração na mesma delegacia. Mensagens e áudios extraídos de celulares apreendidos também indicam que policiais cobravam valores ainda maiores para trancar investigações, chegando a cifras de até R$ 33 milhões. Segundo o Ministério Público, as extorsões ocorriam em locais como o hangar do Serviço Aerotático da Polícia Civil, no Campo de Marte, e no 16º Distrito Policial. Além de policiais, advogados, doleiros e operadores financeiros participariam do esquema. Até a última atualização, nove pessoas haviam sido presas, entre elas um delegado, investigadores, um escrivão, uma doleira e um advogado. Os suspeitos poderão responder por corrupção e lavagem de dinheiro. Entre as medidas judiciais autorizadas estão 11 mandados de prisão preventiva, 23 de busca e apreensão e bloqueio de bens dos investigados. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta e que adotará medidas legais e disciplinares caso as irregularidades sejam confirmadas.

 

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