A economia dos Estados Unidos perdeu 92 mil empregos em fevereiro, resultado inesperado que reacendeu preocupações sobre a força do mercado de trabalho e trouxe novos desafios para a política monetária do país. Os dados foram divulgados pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), órgão responsável pelas estatísticas trabalhistas do governo americano. O número contrasta com as previsões de economistas consultados pela Bloomberg, que esperavam a criação de cerca de 55 mil vagas no período. A retração praticamente anulou o desempenho de janeiro, quando foram criados 126 mil empregos. Com isso, a taxa de desemprego subiu para 4,4% da força de trabalho. O resultado reforça a percepção de fragilidade no mercado de trabalho. Ao longo de 2025, a economia americana gerou em média apenas 10 mil empregos por mês, o ritmo mais fraco em mais de duas décadas fora de períodos de recessão. Para analistas, o relatório coloca em dúvida a ideia de que a economia havia entrado em trajetória consistente de recuperação. A queda nas contratações foi puxada pelo setor de saúde, afetado por greves de profissionais em estados como Nova York, Califórnia e Havaí. O setor de tecnologia também registrou demissões, assim como o governo federal. Outro sinal negativo veio das revisões estatísticas. O BLS reduziu em 69 mil vagas as estimativas divulgadas anteriormente para os dois meses anteriores.
Nos mercados financeiros, a reação foi imediata. Os rendimentos dos títulos do Tesouro caíram após a divulgação dos dados, refletindo expectativas de desaceleração econômica. O rendimento dos títulos de dois anos, sensível à política monetária, ficou próximo de 3,59%. Investidores seguem apostando que o Federal Reserve poderá cortar juros uma ou duas vezes em 2026, mas agora com expectativa de que o primeiro movimento ocorra apenas em setembro. Antes da divulgação do relatório, a previsão dominante apontava para uma redução já em julho. O cenário coloca o banco central em um dilema: sustentar o crescimento e o emprego sem permitir nova aceleração da inflação. A inflação anual dos EUA caiu para 2,4% em janeiro, aproximando-se da meta do Fed, mas a alta recente do petróleo, ligada à guerra no Oriente Médio, pode pressionar novamente os preços. O presidente do Fed, Jerome Powell, já indicou que a autoridade monetária não tem pressa para novos cortes após três reduções realizadas no ano passado. O quadro também tem impacto político. O presidente Donald Trump tenta convencer eleitores de que suas políticas estão fortalecendo a economia antes das eleições legislativas de novembro. A Casa Branca minimizou o resultado. O diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, afirmou que os dados surpreenderam, mas disse que a média de criação de empregos ainda está dentro do esperado. Alguns analistas pedem cautela na interpretação. Outros indicadores seguem relativamente sólidos, como os pedidos semanais de seguro-desemprego, que permanecem abaixo de 215 mil, nível historicamente baixo.
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