Uma das principais preocupações de aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) para a campanha presidencial deste ano é o impacto do caso da “rachadinha” sobre a imagem do pré-candidato. As investigações foram encerradas após o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anularem, em 2021, as provas coletadas. O arquivamento deixou dúvidas sobre a movimentação financeira de Flávio antes de chegar ao Senado. O senador foi denunciado em 2020 pela Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro sob acusação de liderar um esquema de recolhimento de parte dos salários de ex-funcionários. A prática teria desviado cerca de R$ 6 milhões da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Flávio sempre negou as suspeitas e afirmou que ele e seus colaboradores tiveram suas contas devassadas. A assessoria do senador disse que as investigações comprovariam sua honestidade e ressaltou que atualmente não existe inquérito em andamento contra ele. Uma das dúvidas envolve a origem de dinheiro vivo usado pela família. A investigação apontou que muitas despesas eram pagas em espécie, embora não houvesse saques compatíveis ou renda declarada além da atividade parlamentar. Entre 2007 e 2009, o então deputado comprou 12 salas comerciais na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, quase todas pagas em dinheiro. Entre 2010 e 2014, período em que ele e a esposa tinham apenas cargos públicos, a Procuradoria identificou ao menos R$ 977 mil em gastos sem origem comprovada.
A quebra de sigilo bancário mostrou que o ex-assessor Fabrício Queiroz depositou R$ 25 mil na conta da esposa do senador dias antes da entrada de um imóvel, e depois mais R$ 20 mil em espécie. Também foram registrados depósitos em dinheiro na conta de Flávio antes de pagamentos de imóveis, que somaram R$ 281,5 mil. Outra suspeita envolve a compra de dois apartamentos em Copacabana em 2012. Os imóveis foram comprados por R$ 310 mil e revendidos em 2014 por R$ 1,12 milhão. Segundo o Ministério Público, o corretor americano Glenn Dillard depositou R$ 638 mil em dinheiro na conta de Flávio no mesmo dia da transação, valor não registrado oficialmente. A investigação também citou um cofre mantido por Flávio e seu irmão, Carlos Bolsonaro, no Banco do Brasil, acessado em datas próximas a operações imobiliárias da família. Há ainda questionamentos sobre investimentos em ações não declarados à Receita Federal e sobre a movimentação financeira de uma loja de chocolates da qual o senador se tornou sócio. Segundo o Ministério Público do Rio, a receita da loja teria sido inflada em cerca de R$ 1,6 milhão para viabilizar lavagem de dinheiro ligada ao esquema investigado.
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