Ataques de Israel ao Líbano já deixaram ao menos 83 crianças mortas e 254 feridas desde 2 de março, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (9) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). “Em média, mais de dez crianças foram mortas por dia no Líbano na última semana, e cerca de 36 ficaram feridas diariamente”, afirmou Edouard Beigbeder, diretor regional da agência para o Oriente Médio e Norte da África. Ele classificou o impacto do conflito sobre civis, especialmente crianças, como “gravemente preocupante”. O Líbano foi arrastado para a atual guerra depois que o Hezbollah, aliado do Irã, lançou mísseis contra Israel em resposta aos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra Teerã. Segundo o ministro da Saúde libanês, Rakan Rakan Naseredin, os bombardeios israelenses no país mataram 394 pessoas em apenas uma semana. A escalada provocou uma nova onda de deslocamentos. O Unicef estima que cerca de 700 mil pessoas — incluindo aproximadamente 200 mil crianças — foram forçadas a deixar suas casas desde 2 de março. A agência pediu que todas as partes protejam civis e infraestruturas civis, como escolas e abrigos, e que respeitem o direito internacional humanitário.
No domingo, Israel realizou um ataque aéreo contra um hotel no centro de Beirute, o primeiro bombardeio nessa área da capital desde o início da nova fase do conflito com o Hezbollah. De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, o ataque atingiu um quarto de hotel, deixando quatro mortos e dez feridos. As Forças Armadas israelenses afirmaram que o alvo era uma reunião de comandantes ligados à Força Quds, braço externo da Guarda Revolucionária do Irã. Também nesta segunda-feira, a Human Rights Watch acusou Israel de usar munições de fósforo branco de forma ilegal sobre áreas residenciais no sul do Líbano. Segundo a organização, imagens analisadas mostram projéteis de artilharia contendo fósforo branco explodindo no ar sobre um bairro residencial na cidade de Yohmor. Esse tipo de munição pode dispersar mais de uma centena de elementos em chamas em um raio de até 250 metros, aumentando o risco de incêndios e ferimentos graves. O fósforo branco entra em combustão ao contato com o oxigênio e pode causar queimaduras severas, danos aos olhos e aos pulmões, sendo considerado ilegal quando usado de forma indiscriminada em áreas povoadas.
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