Editorial da Folha afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, precisa definir limites para a guerra contra o Irã antes que o conflito se transforme em um caos regional e global. O texto argumenta que, em seu segundo mandato, Trump tem adotado uma postura mais impulsiva e oportunista ao exercer o poder. O ponto de partida do conflito foi a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos e por Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel. Apesar do impacto militar da ofensiva, o regime iraniano rapidamente reorganizou sua liderança, o que indica que a operação pode não ter alcançado seus objetivos políticos. O texto critica a falta de clareza da estratégia americana. Enquanto Israel tem como meta eliminar a ameaça representada pelo regime iraniano, Trump apresentou justificativas diferentes para a guerra, como impedir ataques aos EUA, conter mísseis e interromper o programa nuclear iraniano. Essa indefinição, segundo o editorial, enfraquece a estratégia de guerra. Militarmente, a campanha tem obtido sucesso: forças americanas e israelenses atingiram infraestrutura militar do Irã, enfraquecendo sua marinha, força aérea e capacidade de produção de mísseis. O domínio aéreo permite que os ataques continuem com relativa liberdade. No campo político, porém, o Irã tenta ampliar o conflito e gerar instabilidade. O país lançou ataques contra aliados dos EUA no Golfo e seus grupos parceiros entraram em confronto com Israel no Líbano. Também houve ameaças ao Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
A escalada militar já provoca impactos econômicos. O preço do petróleo e do gás subiu, e há risco de desaceleração da economia global caso o barril ultrapasse US$ 100. Outro risco é a instabilidade interna no Irã. Cerca de 40% da população pertence a minorias étnicas, e o apoio a insurgências, como a de curdos, pode gerar guerra civil ou fragmentação do país, com efeitos sobre vizinhos como Iraque, Síria e Turquia. O editorial afirma que o apoio popular à guerra nos EUA é limitado e que Trump pode prolongar o conflito em busca de uma vitória clara. Porém, isso aumentaria os riscos para a economia mundial e para a estabilidade regional. Como alternativa, o texto sugere que os Estados Unidos limitem seus objetivos militares a enfraquecer a capacidade bélica iraniana e encerrar a operação. Declarar vitória cedo seria menos arriscado do que manter uma guerra prolongada e impopular. Por fim, o editorial conclui que a ofensiva reflete uma política externa impulsiva. Para evitar mais instabilidade, os Estados Unidos precisariam de uma estratégia clara para lidar com o Irã e com os desafios globais.
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