NEYMAR NA JUSTIÇA TRABALHISTA
Uma cozinheira entrou com ação trabalhista contra Neymar Jr., jogador do Santos Futebol Clube, alegando jornadas de até 16 horas diárias em uma mansão do atleta em Mangaratiba (RJ). O processo tramita no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região e também envolve a empresa terceirizada que a contratou. Segundo a ação, ela trabalhou de julho do ano passado a fevereiro deste ano na Casa Hotel Portobello e em um condomínio vizinho. Embora o contrato previsse expediente das 7h às 17h, de segunda a quinta, e até 16h às sextas, a funcionária afirma que frequentemente trabalhava mais de 14 horas por dia. Em algumas ocasiões, a jornada teria se estendido até 23h ou meia-noite, preparando refeições para até 150 pessoas, entre o atleta e convidados. A cozinheira também relata esforço físico intenso, como carregar peças de carne de cerca de 10 kg e grandes compras de supermercado. Ela afirma que as atividades provocaram problemas na coluna e inflamação no quadril, com necessidade de consultas e exames médicos. Apesar do salário registrado de cerca de R$ 4 mil, diz receber em média R$ 7,5 mil com horas extras e adicionais. Segundo a ação, também trabalhava aos fins de semana e não usufruía corretamente do intervalo intrajornada. Com base na Consolidação das Leis do Trabalho, a defesa afirma que o intervalo mínimo de uma hora para jornadas superiores a seis horas não era respeitado. A trabalhadora pede R$ 262 mil por verbas rescisórias, horas extras, danos morais, despesas médicas e pensão.
VAZAMENTO DE CONTEÚDOS DO CELULAR DE VORCARO
O vazamento de conteúdos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, desde 4 de fevereiro, expôs autoridades de Brasília e detalhes de sua vida pessoal, gerando repercussão e memes nas redes sociais. Além do investigado por supostas fraudes bilionárias no Banco Master, mulheres com quem ele se relacionava também tiveram a privacidade exposta, embora não sejam alvos das investigações. Juristas ouvidos pela reportagem afirmam que o vazamento é ilegal por violar o sigilo da investigação e a privacidade de terceiros, já que mensagens pessoais sem relação com os crimes deveriam ser preservadas. O ministro do STF André Mendonça determinou a abertura de inquérito para apurar os responsáveis pelo vazamento, garantindo a preservação do sigilo da fonte jornalística. O material foi compartilhado pela Polícia Federal com a CPMI do INSS, que investiga desvios em aposentadorias e pensões. Embora o envio tivesse restrições para proteger a intimidade, conversas mais amplas acabaram chegando à comissão e foram divulgadas. Até agora, o conteúdo publicado não tem relação direta com as fraudes investigadas. Mensagens citam suposta proximidade de Vorcaro com autoridades, como o ministro Alexandre de Moraes e o senador Ciro Nogueira. O STF afirmou que mensagens atribuídas a Moraes não foram enviadas ao ministro. A maior exposição recaiu sobre Martha Graeff, então namorada do banqueiro, cujas conversas íntimas vieram a público. Especialistas criticam o foco nas mensagens pessoais e apontam violação de privacidade e possível viés machista. A Polícia Federal afirmou seguir padrões rigorosos de segurança e pediu apuração sobre a divulgação indevida de informações sigilosas.
POLÍCIA FEDERAL: MENSAGENS DE MORAIS E VORCARO
Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro do STF Alexandre de Moraes, reveladas por Malu Gaspar em O Globo, teriam sido extraídas e periciadas pela Polícia Federal a partir de análise forense do celular de Vorcaro. Segundo a reportagem, o material não se baseia apenas em prints, mas em extração técnica feita com software usado pela PF em investigações. A ferramenta permite visualizar conversas do WhatsApp e recuperar arquivos enviados em modo de visualização única. Os dados indicariam troca de mensagens em 17 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela PF no aeroporto de Guarulhos. As conversas teriam ocorrido ao longo do dia enquanto ele era abordado pelos agentes. Nas mensagens, o banqueiro relataria negociações sobre a venda do Banco Master e mencionaria um inquérito sigiloso na Justiça Federal de Brasília. O número atribuído a Moraes teria respondido quatro vezes e reagido com emojis a duas mensagens. O ministro negou que o telefone seja seu e afirmou haver incompatibilidade técnica entre o número citado e seus contatos. Vorcaro está preso novamente desde 4 de março, por decisão do ministro André Mendonça, e foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, no Complexo da Papuda. A PF alegou risco às investigações devido à capacidade de articulação do banqueiro.
DEMISSÃO POR JUSTA CAUSA AUMENTA
A demissão por justa causa, punição máxima prevista na CLT, bateu recorde em 2025, com crescimento de quase 200% em relação a 2019, antes da pandemia. Dados do Caged mostram 638,7 mil desligamentos desse tipo no ano passado, o maior número desde 2004. Apenas em janeiro deste ano foram 65,3 mil casos, alta de 22% em relação ao mesmo mês de 2025. A justa causa representou 2,6% de todos os encerramentos de contrato em 2025, também o maior percentual já registrado. Especialistas apontam que o avanço resulta de fatores combinados: maior rotatividade no mercado de trabalho, vigilância mais intensa das empresas e o retorno ao trabalho presencial após a pandemia. A queda do desemprego também influenciou, ao ampliar as contratações e incluir trabalhadores menos qualificados. Isso pode aumentar conflitos e erros no ambiente profissional, levando a mais demissões desse tipo. Empresas também ampliaram o uso de sistemas digitais de monitoramento do trabalho, facilitando a identificação de falhas ou descumprimento de regras. O retorno ao presencial trouxe novos choques de cultura sobre horários, produtividade e autonomia. A chegada da geração Z ao mercado de trabalho também contribui para tensões, por priorizar qualidade de vida e limites entre vida pessoal e profissional. Setores como hipermercados, frigoríficos e call centers concentram maiores índices de justa causa. Nessa modalidade de demissão, o trabalhador perde direitos como saque do FGTS, multa de 40% e seguro-desemprego. Especialistas lembram que muitas dessas demissões acabam sendo contestadas na Justiça e, em vários casos, revertidas.
LULA VETA ARTIGO EM JULGAMENTO DE HOMICÍDIOS.
Membros do Ministério Público iniciaram mobilização junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que vete um artigo do projeto de lei antifacção aprovado pelo Congresso. O dispositivo retira do Tribunal do Júri o julgamento de homicídios ligados a organizações criminosas ultraviolentas, grupos paramilitares ou milícias privadas. Esses crimes foram tipificados pela nova legislação, criada para combater o crime organizado. O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sergio de Oliveira e Costa, divulgou vídeo ontem, 6, defendendo o veto presidencial. Segundo ele, a medida viola o princípio do juiz natural, já que homicídios devem ser julgados pelo Tribunal do Júri. O procurador afirmou que, em São Paulo, os conselhos de sentença apresentam índice de condenação superior a 82% nesses casos. Na quinta-feira (5), a Conamp e o CNPG enviaram carta a Lula pedindo o veto. As entidades afirmam que retirar esses crimes do Tribunal do Júri impede a manifestação democrática da sociedade sobre os casos.
Salvador, 8 de março de 2026.
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