Um soldado israelense gesticula para um palestino, enquanto faz guarda durante a demolição de um prédio perto de Hebron, na Cisjordânia ocupada por Israel -
Criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em 2021, a comissão não representa necessariamente a posição de toda a organização. O relatório também denuncia a continuidade dos ataques israelenses em Gaza, apesar do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, em vigor desde outubro de 2025. De acordo com a Defesa Civil de Gaza, bombardeios realizados em 24 horas deixaram 13 mortos e cerca de 60 feridos. Entre as vítimas de uma ofensiva recente estava uma menina de sete anos. A comissão contabilizou, até 30 de setembro de 2026, mais de 1.431 palestinos mortos e 5.026 feridos em Gaza após o início da trégua. Entre os mortos estavam pelo menos 300 crianças e 130 mulheres. Os investigadores afirmam que Israel passou a controlar cerca de 60% do território de Gaza, acima dos 53% previstos no acordo de cessar-fogo. O documento também registra a morte de 196 palestinos nas proximidades da chamada linha amarela, entre outubro de 2025 e abril de 2026. A construção de novas bases militares indicaria, segundo a comissão, a consolidação da presença israelense na região. O relatório cita declarações de autoridades israelenses sobre a condução da guerra e a rejeição à criação de um Estado palestino. As relações entre Israel e a ONU também se deterioraram, com o governo Netanyahu rompendo relações com a secretaria-geral da organização. A comissão, por outro lado, responsabiliza a Autoridade Palestina por prisões ilegais, tortura e repressão contra ativistas, jornalistas e opositores políticos. O órgão não se manifestou sobre o documento. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, alertou ainda para o risco de limpeza étnica em Hebron, na Cisjordânia, após uma operação militar israelense. Türk afirmou que a punição coletiva viola o direito internacional e advertiu que ameaças de esvaziar bairros inteiros levantam sérias preocupações sobre possíveis expulsões forçadas da população palestina.

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