Para especialistas, a autoria humana continua essencial, mesmo quando a IA participa da produção. Outros defendem que a capacidade de revisar e validar resultados será cada vez mais importante. Estudantes consideram aceitável utilizar a tecnologia, desde que compreendam o conteúdo gerado. O problema surge quando alguém apresenta textos ou códigos que não consegue explicar. Na PUC-Rio, professores demonstram preocupação com os impactos da IA sobre a aprendizagem. Trabalhos bem escritos e organizados nem sempre revelam o conhecimento efetivamente adquirido pelo aluno. O professor Edgar Lyra alerta para o risco de avaliações deixarem de demonstrar o aprendizado. O Insper adotou medidas para reduzir o uso indevido da tecnologia durante as provas. Entre elas estão avaliações em papel, bloqueio de internet e supervisão presencial ou remota. Na USP, uma proposta de regulamentação aguarda aprovação da Reitoria e do Conselho Universitário. O texto prevê o uso declarado da IA em atividades de aprendizagem e pesquisa. Nas avaliações, a utilização dependerá de autorização do professor, com transparência e justificativa. A instituição também oferece disciplina voltada ao uso crítico, ético e transparente dessas ferramentas. Já a Unip incorporou a ferramenta MarIA à sua estratégia de empregabilidade, desde maio de 2025. O sistema cruza dados acadêmicos e informações do mercado de trabalho para sugerir carreiras e ações de desenvolvimento. Especialistas defendem que as universidades liderem o debate para evitar que a sociedade enfrente essa transformação sem orientação.
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segunda-feira, 19 de outubro de 2026
UNIVERSITÁRIOS USARAM "IA" GENERATIVA NOS ESTUDOS EM 2025
No Brasil, 84% dos universitários usaram inteligência artificial generativa nos estudos em 2025, contra 52% em 2023. Os dados são do relatório AI Index 2026, da Universidade de Stanford. Apesar da expansão, as universidades ainda apresentam dificuldades para regulamentar essa tecnologia. Um levantamento identificou apenas 27 documentos sobre IA em 111 instituições públicas de ensino superior. Entre as universidades privadas e públicas, as regras também variam consideravelmente. Unicamp e UFMG já possuem normas e orientações para disciplinar o uso dessas ferramentas. A UFRJ, por sua vez, ainda consulta sua comunidade acadêmica sobre o assunto. O Conselho Nacional de Educação aprovou parecer que prevê políticas de integridade acadêmica para todas as instituições. Se homologada, a medida dará prazo de até 12 meses para sua implementação. As principais preocupações envolvem segurança da informação, responsabilidade dos usuários e métodos de ensino. Na Unicamp, uma norma de abril de 2026 proíbe compartilhar dados pessoais ou sigilosos em ferramentas não autorizadas. Contratos com Google e Microsoft buscam impedir o armazenamento e o uso desses dados para treinamento. A universidade também responsabiliza os usuários pelo conteúdo produzido com auxílio da inteligência artificial. Entretanto, ainda se discute como essa responsabilidade será apurada na prática.
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