Apesar do entusiasmo de setores do mercado financeiro com a possibilidade de ajuste fiscal, a economista alerta para os riscos de um governo de extrema-direita a partir de 2027. Ela compara a trajetória política de Flávio à de Viktor Orbán, ex-líder húngaro que chegou ao poder com promessas econômicas liberais, mas promoveu medidas que enfraqueceram instituições democráticas. Durante seu governo, Orbán ampliou a influência sobre o Judiciário, alterou a composição do Tribunal Constitucional e reduziu a independência institucional, além de exercer controle sobre a mídia. Embora a Hungria tenha registrado recuperação econômica entre 2014 e 2019, o processo ocorreu, segundo Monica, acompanhado de custos para a sociedade e a democracia. Para a pesquisadora, o avanço da extrema-direita brasileira decorre também da falta de preparação do governo Lula após a eleição de 2022. O movimento cresceu nas plataformas digitais sem uma resposta política suficientemente eficaz. Mesmo em caso de vitória de Lula, Monica prevê dificuldades diante de um Congresso com forte presença da direita. Para ela, o cenário político mudou profundamente, tornando os próximos anos desafiadores em qualquer hipótese.

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