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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

ECONOMISTA CRITICA PROPOSTAS ECONÔMICAS DE FLÁVIO


A economista Monica de Bolle, do Peterson Institute for International Economics, critica as propostas econômicas de Flávio Bolsonaro (PL) às vésperas do segundo turno presidencial. Para ela, as declarações do candidato são contraditórias e geram desconfiança sobre seu plano de governo. Segundo a economista, Flávio adota uma estratégia de “gerar o caos”, anunciando medidas com elevado impacto fiscal, como a retomada do Perse e o programa Vira Pix, que promete devolver parte dos gastos das famílias. Monica alerta que o Vira Pix poderia comprometer a Caixa Econômica Federal e ampliar significativamente a dívida pública. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também considera a proposta impossível de cumprir. Ao analisar o plano enviado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a economista apontou contradições nas medidas fiscais e riscos para o Bolsa Família, que, segundo ela, não se sustenta no formato apresentado. Monica, autora do livro “Como matar a borboleta azul”, criticou ainda a equipe econômica coordenada por Daniella Marques, classificando-a como fraca e sem experiência suficiente. Para ela, há informações enganosas nas propostas, inclusive sobre o fim da escala de trabalho 6×1. A economista também questionou a alternativa apresentada por Flávio à redução da jornada, que prevê negociações individuais sobre horas trabalhadas e a prevalência dos acordos sobre a legislação. Na avaliação dela, o modelo prejudicaria os trabalhadores. Monica argumenta que o candidato demonstra pouco compromisso com os direitos trabalhistas. A assessoria de Flávio não respondeu às críticas nem esclareceu como pretende conciliar redução de impostos, cortes de despesas e manutenção de programas sociais.

Apesar do entusiasmo de setores do mercado financeiro com a possibilidade de ajuste fiscal, a economista alerta para os riscos de um governo de extrema-direita a partir de 2027. Ela compara a trajetória política de Flávio à de Viktor Orbán, ex-líder húngaro que chegou ao poder com promessas econômicas liberais, mas promoveu medidas que enfraqueceram instituições democráticas. Durante seu governo, Orbán ampliou a influência sobre o Judiciário, alterou a composição do Tribunal Constitucional e reduziu a independência institucional, além de exercer controle sobre a mídia. Embora a Hungria tenha registrado recuperação econômica entre 2014 e 2019, o processo ocorreu, segundo Monica, acompanhado de custos para a sociedade e a democracia. Para a pesquisadora, o avanço da extrema-direita brasileira decorre também da falta de preparação do governo Lula após a eleição de 2022. O movimento cresceu nas plataformas digitais sem uma resposta política suficientemente eficaz. Mesmo em caso de vitória de Lula, Monica prevê dificuldades diante de um Congresso com forte presença da direita. Para ela, o cenário político mudou profundamente, tornando os próximos anos desafiadores em qualquer hipótese.

 

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