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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

NEGOCIAÇÃO PARA FOMAR GOVERNO EM BERLIM É SUSPENSA


A negociação para formar um governo liderado pelo partido A Esquerda, em Berlim, foi suspensa na segunda semana de conversas. 
Verdes e sociais-democratas interromperam o diálogo após a legenda confirmar a deputada Vanessa Emde em sua bancada parlamentar. Emde é acusada de antissemitismo por declarações relacionadas à Palestina, à Faixa de Gaza e à existência de Israel. Durante a campanha, ela afirmou que os Estados não deveriam ter direito à existência, mas sim as pessoas. A declaração foi interpretada por críticos como um questionamento à existência do Estado israelense. Apesar das acusações, A Esquerda manteve a parlamentar após uma conferência realizada na terça-feira (13). Emde e os demais deputados assinaram um documento para dissociar o partido das acusações de antissemitismo. O texto inclui o reconhecimento do direito de Israel à existência, compromisso defendido por Elif Eralp, candidata da legenda à prefeitura. Segundo relatos da imprensa alemã, Verdes e SPD esperavam que Emde fosse afastada da bancada. Os líderes dos dois partidos afirmaram que desejam esclarecimentos sobre o cumprimento dos acordos estabelecidos durante as negociações. A Esquerda conquistou 25% dos votos nas eleições e precisa do apoio dos dois partidos para formar uma maioria. Caso as conversas fracassem, a União Democrata-Cristã (CDU), de Friedrich Merz, também poderá buscar uma coalizão com Verdes e sociais-democratas. Essa alternativa fortalece a posição dos dois partidos nas negociações com A Esquerda. Na véspera, Merz classificou como inadmissível a possibilidade de um governo berlinense liderado pela legenda. 

O primeiro-ministro também critica a proposta de estatização de mais de 200 mil apartamentos para enfrentar a crise habitacional. A medida, chamada de socialização, está prevista na Constituição alemã e não é juridicamente considerada confisco. Após a eleição, Merz prometeu criar uma legislação federal para impedir expropriações. Eralp, filha de socialistas que emigraram da Turquia, afirmou que os eleitores deram ao partido um mandato claro para tornar Berlim mais acessível. Ela declarou levar as críticas a sério, mas considerou as manifestações do premiê uma interferência política. Escritora e diretora teatral, Emde é conhecida por performances feministas e integra uma rede trotskista. Sua atuação política ganhou destaque pela defesa dos palestinos durante a campanha eleitoral. A Esquerda é frequentemente descrita como radical pela imprensa alemã, mas não é classificada como extremista pelos serviços de segurança do país. A situação difere da AfD, partido de direita que enfrenta classificações relacionadas ao extremismo por parte das autoridades alemãs. Merz e a CDU, entretanto, consideram A Esquerda e a AfD riscos à segurança nacional. Entre as críticas está a defesa de uma aproximação com a Rússia e a oposição ao apoio à Ucrânia na guerra. O impasse em Berlim reúne divergências sobre antissemitismo, política habitacional e relações internacionais. A continuidade das negociações dependerá da capacidade dos partidos de conciliar suas posições e estabelecer uma coalizão majoritária.

 

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