O senador Flávio Bolsonaro (PL) figurava como “usuário master” da conta bancária da Alcazar Holdings, empresa ligada a uma aeronave que também pertencia a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Documentos encontrados pela Polícia Federal indicam que a conta estava registrada em nome da empresa, administrada pelo advogado Willer Tomaz. Segundo o jornal O Globo, a documentação foi confirmada por fontes da PF ao Correio Braziliense. Os registros aparecem em uma troca de e-mails entre o banco Santander e uma secretária de Willer. De acordo com a Polícia Federal, o perfil de usuário master conferia a Flávio elevado nível de acesso e gerenciamento da conta. Para os investigadores, essa condição representa acesso operacional relevante e sustenta a hipótese de eventual participação econômica ou societária de fato na empresa. A Alcazar Holdings tem sede na Ilha da Madeira, em Portugal, e, segundo a publicação, Willer Tomaz é seu único sócio. A empresa possuía uma das três cotas do jato Legacy 650, de matrícula PP-NLR, adquirido em 2023 pela Fraction 024. Flávio Bolsonaro utilizou a aeronave em janeiro de 2025, durante uma viagem de ida e volta entre Brasília e Fort Lauderdale, na Flórida. A viagem ocorreu em um período no qual a empresa ainda detinha participação no avião.
A Polícia Federal também encontrou, no iCloud de Willer, fotografias de Flávio e capturas de conversas mantidas com o senador. Em nota, Flávio afirmou que nunca manteve conta bancária na qual Willer Tomaz ou qualquer empresa dele figurasse como usuário master. O advogado também negou a existência de conta conjunta com o parlamentar. Willer declarou que mantém apenas uma relação de amizade com Flávio e contestou a interpretação dos documentos bancários. Segundo ele, a troca de e-mails com o Santander não comprova a existência de conta compartilhada. O advogado classificou como uma inferência a hipótese de participação econômica ou societária do senador na Alcazar Holdings. Willer acrescentou que os deslocamentos mencionados foram viagens de lazer realizadas com as famílias. Conforme sua nota, os passageiros embarcaram como convidados, sem pagamento ou contrapartida de qualquer natureza. A investigação busca esclarecer a relação entre o senador, a empresa e a aeronave ligada a Daniel Vorcaro. Os documentos bancários constituem um dos elementos analisados pela PF, mas a hipótese de participação societária de fato ainda depende de apuração. Flávio e Willer negam as interpretações que apontam para uma relação financeira entre ambos. O caso acrescenta novos elementos às investigações sobre conexões empresariais e relações envolvendo o Banco Master.

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