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sábado, 17 de outubro de 2026

CUSTOS DE ENERGIA ENCARECEM PRODUÇÃO AGRÍCOLA


O aumento dos custos da energia está encarecendo a produção agrícola e elevando os preços dos alimentos, alimentando o temor de uma crise alimentar mundial, alertou o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida). Segundo a agência da ONU, os preços agrícolas mundiais subiram 13% no terceiro trimestre, e a tendência de alta está se acelerando.O conflito no Oriente Médio elevou os preços dos combustíveis e dos fertilizantes, aumentando os custos de produção e transporte dos produtos agrícolas. O presidente do Fida, Álvaro Lario, prevê que a inflação alimentar se intensifique nos próximos seis a nove meses, atingindo principalmente as populações mais pobres. Segundo ele, quase um terço da população mundial não consegue pagar por uma alimentação saudável. Dados da ONU indicam que cerca de 260 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar. Nos países em desenvolvimento, a alta dos alimentos compromete parcela significativa do orçamento familiar e reduz o acesso a produtos nutritivos. Os pequenos agricultores são particularmente afetados pelo encarecimento da energia, embora respondam por um terço da produção mundial de alimentos. Em diversos países em desenvolvimento, sua participação chega a 70% da produção. No Sudeste Asiático, utilizam cerca de 200 quilos de fertilizantes por hectare anualmente. 

O encarecimento desses insumos pode reduzir a produtividade e elevar ainda mais os preços. Lario afirma que os governos têm poucas alternativas imediatas, como subsidiar combustíveis e fertilizantes. O G7 anunciou US$ 2,5 bilhões para apoiar países ameaçados pela insegurança alimentar, com atenção especial ao fornecimento de fertilizantes. Além dos custos elevados, o fenômeno climático El Niño ameaça as colheitas na África, na Ásia e na América Latina, agravando os riscos de escassez. Na América Central, já foram registradas perdas de milho e feijão em El Salvador e Honduras. Na Índia, a irregularidade das monções reduz a disponibilidade de água para a agricultura. Filipinas, Indonésia e África do Sul também estão expostas a perdas de produtividade. Especialistas alertam que adaptar rapidamente os cultivos é difícil e pode custar caro. Para combater a fome, o FMI recomenda transferências de renda direcionadas às famílias vulneráveis e programas de alimentação escolar. O Fida defende investimentos de três a cinco anos para fortalecer os sistemas alimentares, ampliando a irrigação, o armazenamento, o processamento local e o acesso aos mercados. A entidade atua em cerca de 90 países e busca recursos privados para ampliar suas ações. Lario ressalta que a agricultura depende da saúde do solo e da disponibilidade de água, ambas ameaçadas pelas mudanças climáticas. Menos de 1% do financiamento climático mundial chega aos pequenos agricultores, que precisam de irrigação eficiente, sementes resistentes à seca e proteção das áreas costeiras.

  

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