Para o conselho editorial do NYT, interferir nas eleições de uma democracia é uma atitude antidemocrática, pois os americanos não têm o direito de decidir o que é melhor para os brasileiros. Historicamente, esse paternalismo produziu resultados negativos, inclusive para os próprios Estados Unidos. O jornal observa que Trump costuma favorecer políticos de extrema direita com tendências autoritárias, que utilizam o poder estatal em benefício próprio e tentam alterar regras eleitorais para permanecer no governo. Embora não seja possível medir o efeito dessas intervenções, algumas tiveram resultados contrários aos pretendidos, como o apoio americano ao húngaro Viktor Orbán, derrotado nas urnas. Na América Latina, o avanço da direita também está relacionado à insatisfação popular com o desempenho econômico de governos de esquerda, à criminalidade e à migração. Entretanto, Trump utiliza o poder econômico americano para recompensar aliados e punir adversários. O editorial cita ainda a Venezuela, onde, segundo o texto, Trump empregou força militar para depor Nicolás Maduro e instalar um governo alinhado aos interesses americanos. Essa política, afirma o jornal, enfraquece a posição internacional dos EUA e favorece regimes autoritários, como os da China, Rússia e Irã, ao alimentar acusações de imperialismo contra as democracias ocidentais. A interferência também prejudica a imagem americana na América Latina. Pesquisas do Pew Research Center indicam que a vantagem dos Estados Unidos sobre a China na opinião pública regional praticamente desapareceu no Brasil, enquanto outros países passaram a demonstrar maior simpatia pelos chineses. O jornal recorda que os EUA apoiaram ações clandestinas contra o governo João Goulart, no início dos anos 1960, contribuindo para o golpe militar de 1964 e duas décadas de ditadura. Com a redemocratização brasileira, a partir de 1985, o país fortaleceu suas instituições e retomou as eleições presidenciais diretas em 1989. Esse processo foi positivo para o Brasil e para a comunidade internacional. O NYT conclui que a influência americana depende do respeito aos ideais democráticos. Ao tentar controlar escolhas políticas de outros países, Trump prejudica outras nações e enfraquece o próprio poder dos Estados Unidos.
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segunda-feira, 26 de outubro de 2026
THE NEW YORK TIMES CRITICA INTERFERÊNCIA DE TRUMP NO BRASIL
O The New York Times criticou, em editorial publicado ontem, 25, a interferência de Donald Trump nas eleições de outros países, especialmente no Brasil. O jornal afirma que o presidente americano retoma práticas intervencionistas da Guerra Fria, prejudiciais à democracia e aos próprios interesses dos Estados Unidos. Segundo o editorial, Trump e integrantes de seu governo apoiaram candidatos em países como Argentina, Colômbia, Honduras, Hungria, Israel, Japão e Polônia. Em alguns casos, Washington ofereceu vantagens a aliados políticos e puniu governos adversários. O Brasil é apontado como exemplo recente dessa política. No domingo, os eleitores brasileiros escolheram entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe. Embora Trump não tenha declarado apoio formal a Flávio, o jornal afirma que suas ações favoreceram o candidato da direita. Em 2025, o governo americano impôs tarifas de 50% à maioria dos produtos brasileiros e sancionou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e sua esposa, tentando pressionar o país após a condenação de Bolsonaro. Parlamentares democratas denunciaram a interferência ao secretário de Estado, Marco Rubio. Lula também criticou, na ONU, a ingerência externa nos processos eleitorais.
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