Nos dois últimos anos de Biden, haviam sido detidos 625 menores brasileiros. Geralmente, as crianças são levadas com os pais e liberadas poucas horas ou dias depois. Nos últimos quatro anos, 75% dos brasileiros detidos eram homens; sob Trump, a proporção subiu para 80%. Segundo o pesquisador Julio D’Angelo Davies, a política prioriza a deportação de homens adultos, frequentemente responsáveis pelo sustento familiar. Após a deportação, mulheres e crianças podem decidir retornar ao Brasil por perderem a principal fonte de renda. As autodeportações não são contabilizadas, dificultando medir o impacto real da política migratória. Autoridades relatam aumento da procura por saídas voluntárias nos últimos três meses. Também dispararam os pedidos de certidões brasileiras para filhos de brasileiros nascidos nos Estados Unidos. Em 2025, foram mais de 21 mil solicitações, contra 5.600 em 2021. Consulados brasileiros ampliaram equipes para atender famílias afetadas por prisões e medidas migratórias. Em Boston, surgem diariamente, em média, dois novos casos envolvendo detenções, liberdade condicional ou assistência a mulheres e crianças. O número total de brasileiros detidos é maior, pois os dados do levantamento abrangem apenas o ICE. Entre janeiro e maio de 2026, o CBP deteve 176 brasileiros na fronteira com o México, contra mais de 10,7 mil no mesmo período de 2024.
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quarta-feira, 14 de outubro de 2026
SEIS EM CADA DEZ BRASILEIROS DETIDOS PELO ICE SÃO DEPORTADOS
Seis em cada dez brasileiros detidos pelo ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, são deportados. Dois terços não são acusados de crimes, pois a situação migratória irregular é uma infração civil. Em média, os brasileiros esperam 37 dias por uma decisão judicial sobre seus casos. Os dados foram organizados pelo Observatório das Deportações, ligado à Universidade Estadual de Montes Claros. As informações abrangem 2023 a 2026, incluindo os governos Biden e Trump. Até agosto de 2026, 3.650 brasileiros haviam sido presos pelo ICE, mais que o dobro do registrado nos dois anos finais de Biden. Julho foi o mês com mais detenções, totalizando 709 brasileiros. As prisões concentram-se na Costa Leste, especialmente em Massachusetts, Flórida, Nova Jersey, Pensilvânia e Nova York. A idade média dos brasileiros detidos é de 34 anos. Quase 60% não foram formalmente acusados de crimes, sendo detidos principalmente por irregularidades migratórias. Outros 30% respondem a acusações criminais sem sentença, enquanto 10% já foram considerados culpados. Entre os delitos mencionados por pessoas que acompanham os casos estão tráfico de drogas e violência contra a mulher. O tempo médio para decisões judiciais caiu de 161 dias, em 2024, para 37 dias em 2026. Os imigrantes podem solicitar habeas corpus ou pedir para retornar voluntariamente ao Brasil. Cerca de 30% dos detidos neste ano estão em liberdade condicional, sob monitoramento eletrônico ou apresentação periódica à Justiça. O aumento das detenções pressiona a capacidade do sistema prisional americano. Nos dois primeiros anos do segundo governo Trump, 569 crianças brasileiras também foram presas.
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