A renda real ainda se recupera de uma década de instabilidade econômica e inflação alta.A expansão dos aplicativos reflete uma mudança cultural em direção ao individualismo e ao empreendedorismo. Segundo o economista Mansueto Almeida, o primeiro emprego, antes associado à indústria, hoje pode ser dirigir para a Uber. A flexibilidade é outra razão para aderir às plataformas, permitindo conciliar trabalho, estudos e família. Klebson Vitorino, de 23 anos, deixou o emprego industrial para dirigir e financiar seus estudos universitários. Carlos Ribeiro afirma que o trabalho lhe oferece maior autonomia para cuidar dos filhos. Entretanto, representantes sindicais alertam para a queda dos ganhos e os custos de manutenção dos veículos. Muitos motoristas precisam trabalhar sete dias por semana para manter as contas em dia. Os rendimentos atuais são semelhantes aos da média do setor privado, mas a jornada semanal é 5,4 horas maior. A Uber afirma que sua plataforma aumenta a renda dos trabalhadores e reduz o desemprego, além de investir R$ 2 bilhões em tecnologia no Brasil. O governo Lula lançou uma linha de crédito de até R$ 30 bilhões para ajudar motoristas a comprar veículos próprios. A iniciativa busca aproximar o PT dos trabalhadores mais jovens, cada vez mais distantes do emprego sindicalizado. Apesar disso, Nielson Costa, motorista há três anos, não votou no primeiro turno e considera insuficientes as medidas governamentais. Para ele, o governo não demonstra preocupação real com os motoristas de aplicativos, especialmente os endividados.
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terça-feira, 20 de outubro de 2026
RENDIMENTOS DOS BRASILEIROS CAÍRAM
Rafael Antunes trabalhou por 20 anos como caminhoneiro, mas perdeu o emprego e passou a dirigir para a Uber. Aos 52 anos, afirma que seus rendimentos caíram pela metade em alguns meses. Sua situação ilustra as mudanças no mercado de trabalho brasileiro e os desafios políticos de Lula. Apesar do crescimento econômico e do desemprego de 5,3%, muitos brasileiros não percebem melhora na economia. Pesquisa Quaest de setembro mostrou que 49% consideram que a situação econômica piorou no último ano. Apenas 19% dos entrevistados acreditam que houve melhora. O avanço dos aplicativos de transporte e entrega ajuda a explicar essa contradição. Quase 2 milhões de pessoas trabalham em tempo integral nessas plataformas, cerca de 2% da força de trabalho. O número de motoristas cresceu 37% em três anos, principalmente pela dificuldade de encontrar outros empregos. A chamada “uberização” tornou-se uma alternativa para trabalhadores sem oportunidades formais. Segundo o economista Daniel Duque, os aplicativos reduzem o desemprego em aproximadamente um ponto percentual. O Brasil é um dos principais mercados da Uber, favorecido por grandes cidades e transporte público irregular. São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte estão entre as cidades com maior atividade da empresa. Economistas relacionam a insatisfação econômica à percepção negativa da população, apesar dos indicadores favoráveis. Esse sentimento pode ter contribuído para o desempenho de Flávio Bolsonaro, que obteve 47% dos votos no primeiro turno, contra 45% de Lula. O endividamento também pesa: mais de 80% das famílias pagam dívidas pessoais, agravadas pelos juros elevados.
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