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domingo, 25 de outubro de 2026

TRUMP NÃO CONSEGUE REDUZIR PREÇO DA CARNE


O presidente Donald Trump lançou, em agosto, um plano de três meses para aumentar a importação de carne bovina e reduzir os preços nos Estados Unidos. Porém, na metade do período, os resultados são limitados, com pouco volume adicional importado e pequena queda nos preços. O decreto autorizou a entrada de 300 mil toneladas de aparas de carne bovina magra com tarifas reduzidas, distribuídas entre setembro, outubro e novembro, com limite de 100 mil toneladas mensais. Em setembro, entraram apenas 37.486 toneladas, pouco mais de um terço da cota. Até 19 de outubro, foram importadas outras 21.937 toneladas. O fracasso parcial da iniciativa pode prejudicar os republicanos nas eleições de meio de mandato. Trump reconheceu que os preços da carne se tornaram inaceitáveis para os eleitores e tenta reduzi-los sem perder o apoio dos pecuaristas. Entidades do setor criticaram a medida, alegando que as importações prejudicariam os preços recebidos pelos produtores. No dia do anúncio, o valor do gado vivo caiu 3,4%, embora posteriormente tenha se recuperado. Pecuaristas temem que a intervenção do governo desestimule a expansão dos rebanhos. Para Ford Drummond, presidente da Associação de Pecuaristas de Oklahoma, a tentativa de resolver um problema imediato pode provocar dificuldades futuras no abastecimento. Os consumidores também não perceberam descontos significativos. Trump havia incentivado os importadores a vender a carne com preços 25% inferiores aos de mercado, mas o valor médio de meio quilo de carne moída caiu apenas 1,9% em setembro, passando de US$ 6,92 para US$ 6,79. Um ano antes, custava US$ 6,32.

A Casa Branca afirmou que Trump está cumprindo sua promessa de baratear a carne e permitir o crescimento do rebanho americano. Entretanto, economistas questionam o impacto efetivo do decreto. Os Estados Unidos importaram 1,9 milhão de toneladas de carne bovina no ano passado, principalmente da Austrália, Canadá, Brasil, México e Nova Zelândia. Grande parte dessas importações já era destinada à produção de carne moída. O economista James Mitchell, da Universidade do Arkansas, estimou que entre 41% e 79% das importações de setembro ocorreriam normalmente, mesmo sem a medida presidencial. Portanto, nem todo o volume registrado representa carne adicional. Especialistas também ressaltam que as aparas magras são apenas uma parte do custo da carne moída, que inclui processamento, transporte, mão de obra e outros componentes. Além disso, como frigoríficos misturam carne nacional e importada, os supermercados não conseguem identificar facilmente os produtos beneficiados pelo programa nem oferecer descontos específicos. Segundo Ted Schroeder, economista da Universidade Estadual do Kansas, os preços no atacado das aparas praticamente não mudaram. A pequena redução no varejo pode decorrer apenas do fim da temporada de churrascos. Assim, a iniciativa de Trump ainda não demonstrou capacidade de reduzir significativamente os preços da carne bovina, e o benefício para os consumidores permanece praticamente imperceptível.


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