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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

MAIS DE 290 TORRES DERRUBADAS POR EVENTOS CLIMÁTICOS


Eventos climáticos extremos associados ao El Niño derrubaram mais de 290 torres de transmissão de energia no Brasil desde o fim de julho, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O diretor-geral do órgão, Márcio Rea, alerta que as tempestades devem se intensificar nos próximos meses, mas considera difícil evitar novas quedas devido ao custo de reforçar as estruturas. Segundo Rea, ventos que antigamente atingiam entre 90 e 100 km/h agora podem chegar a 250 km/h, superando a resistência das torres existentes. O diretor de Operação do ONS, Valter Cardeal, informou que 191 torres de linhas de 230 kV e 500 kV caíram entre 26 de julho e 21 de outubro. Outras cem estruturas de 138 kV também foram derrubadas. As ocorrências se concentraram principalmente na Região Sul, com registros em menor escala no Nordeste. Rea explicou que correntes de ar descendentes se chocam perto do solo, provocando ventos capazes de torcer e derrubar as estruturas de transmissão. Um dos episódios mais graves ocorreu no extremo sul do Rio Grande do Sul, em 6 de agosto, quando um ciclone extratropical derrubou torres que abastecem Santa Vitória do Palmar e Chuí. Duas estruturas caíram na Lagoa Mirim. Mais de 60 profissionais foram mobilizados para reconstruir as torres. O temporal atingiu cerca de 34 dos 72 municípios atendidos pela CEEE Equatorial, com rajadas de até 132 km/h. O ONS consultou fabricantes sobre o reforço das estruturas, mas recebeu a informação de que seria necessário utilizar nove vezes mais aço, tornando os custos proibitivos.

Para o operador, o sistema elétrico tem demonstrado capacidade de recuperação. Cardeal afirmou que os cortes no fornecimento foram muito pequenos, apesar dos danos. O ONS também tem alertado as empresas transmissoras sobre as previsões de tempestades, permitindo que mantenham equipes preparadas para emergências. Apesar dos prejuízos às linhas de transmissão, as chuvas melhoraram os níveis dos reservatórios das hidrelétricas antes do período chuvoso. Segundo o Ministério de Minas e Energia, os reservatórios do Sistema Interligado Nacional terminaram setembro com 61% da capacidade, ante 56% no mesmo mês de 2025. O ONS prevê armazenamento de 56,7% no fim de outubro, com destaque para a Região Sul, cujos reservatórios podem atingir 88,2% da capacidade. Neste mês, a quantidade de água que chega às usinas da região corresponde a 228% da média histórica. Com a melhora das condições hídricas, Rea considera improvável o uso intenso de usinas termelétricas, que produzem energia mais cara quando falta água nas hidrelétricas. Segundo ele, as termelétricas deverão ser acionadas apenas em alguns momentos de maior consumo. O diretor afirmou que os reservatórios estão em situação confortável. Nesta quarta-feira, o ONS também premiou empresas que se destacaram na geração e na transmissão de eletricidade. A iniciativa, em seu segundo ano, busca estimular melhorias no desempenho do setor elétrico.

 

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