
A Polícia Federal pediu ao STF a abertura de inquérito contra Flávio Bolsonaro por suspeita de lavagem de dinheiro. O caso envolve o advogado Willer Tomaz, investigado por fraudes no INSS. O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator do pedido no Supremo. A campanha de Flávio afirma que ele ainda não é investigado nesse procedimento. Segundo a defesa, não houve decisão judicial nem manifestação da PGR sobre a abertura do inquérito. A investigação surgiu após suspeitas relacionadas ao setor de apostas e ao custeio de viagens. Uma empresa ligada a Willer Tomaz teria pago voos de Flávio para a Europa em 2025. A empresa teria intermediado passagens usadas em viagens pessoais dos dois núcleos familiares. A PF também identificou que Flávio tinha acesso operacional a uma conta da offshore Alcazar Holding. A empresa pertence a uma estrutura da qual Willer é sócio, e o acesso do senador foi retirado em maio de 2025.Registros policiais apontam festas, encontros e reuniões entre o advogado e o parlamentar. Flávio declarou que sua relação com Willer é exclusivamente de amizade. O senador tem acusado o entorno do presidente Lula de possível ligação com fraudes contra aposentados do INSS. Entretanto, seu relacionamento com Willer também passou a ser objeto de apuração. O advogado foi alvo da Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF em agosto. Ele também é proprietário da Rede Loto, empresa de apostas licenciada pelo governo do Rio de Janeiro.
Este é o segundo procedimento envolvendo Flávio no STF. O outro investiga o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Nesse caso, o relator é André Mendonça, ministro indicado pelo ex-presidente. A apuração examina suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção relacionadas ao financiamento da produção. Em maio, veio a público um áudio em que Flávio pede recursos a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O senador negociou um repasse de pelo menos US$ 24 milhões para financiar o filme. O valor corresponde a aproximadamente R$ 122,7 milhões, segundo a reportagem. Flávio afirma que os recursos seriam provenientes de patrocínio privado. Antes da divulgação do áudio, ele negava ter contato com Vorcaro.Posteriormente, admitiu a relação com o ex-banqueiro. Na gravação, Flávio chama Vorcaro de “irmão”. A investigação sobre o filme foi aberta em julho, mas a participação de Flávio só se tornou pública em setembro. Os dois casos ampliam o escrutínio sobre as relações financeiras e pessoais do senador. As suspeitas ainda dependem de apuração, sem que isso represente comprovação de culpa.
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