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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

"IA" MAL UTILIZADA OU GUERRA NUCLEAR PODE ACABAR COM A HUMANIDADE


Estudo publicado pela revista médica The Lancet aponta que a inteligência artificial (IA) mal utilizada e uma guerra nuclear estão entre as ameaças capazes de provocar a extinção da humanidade até 2100. A avaliação identificou 17 grandes riscos à saúde humana nos próximos 75 anos, incluindo mudanças climáticas, pandemias, resistência antimicrobiana, desnutrição infantil e redução da ajuda internacional. O levantamento foi elaborado por uma comissão de 35 especialistas e apresentado neste domingo (11), durante a Cúpula Mundial da Saúde, em Berlim, na Alemanha. Segundo os pesquisadores, as ameaças estão interligadas e exigem ações coordenadas dos governos para prevenir crises de grandes proporções. Uma guerra nuclear poderia desencadear fome mundial caso partículas lançadas na atmosfera bloqueassem a luz solar, prejudicando a agricultura e a produção de alimentos. Outro risco é o desenvolvimento de armas biológicas com o uso malicioso da inteligência artificial, ampliando a capacidade de provocar danos em larga escala. Um editorial da Lancet alerta que a concretização desses cenários poderia representar um verdadeiro apocalipse para a humanidade. Para avaliar os riscos, os pesquisadores calcularam os anos de vida saudável que seriam perdidos por doenças, incapacidades e mortes prematuras. Entre as ameaças classificadas como catastróficas estão poluição do ar, resistência antimicrobiana, colapso climático, conflitos convencionais, obesidade e problemas de saúde mental. Esses riscos podem provocar, individualmente ou em conjunto, perdas superiores a 1 bilhão de anos de vida ajustados por incapacidade. 

Ibrahim Abubakar, integrante da comissão e professor da University College London, afirmou que o objetivo não é assustar a população, mas orientar os responsáveis pelas decisões públicas. Segundo ele, os governos precisam reconhecer a dimensão dos perigos e compreender que medidas preventivas podem fazer diferença. Christopher Murray, copresidente da comissão e diretor do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde da Universidade de Washington, destacou a responsabilidade dos líderes atuais. Para o especialista, as decisões tomadas hoje determinarão as condições de saúde e o bem-estar das próximas gerações. Os autores defendem investimentos em inovação tecnológica, fortalecimento dos sistemas de saúde e ampliação da capacidade de antecipar e prevenir emergências. A comissão pretende atualizar anualmente a avaliação, revisando as ameaças existentes e incorporando novos riscos identificados. Murray explicou que, inicialmente, os pesquisadores concentravam suas preocupações em três grandes problemas: conflitos, mudanças climáticas e pandemias. Entretanto, o estudo revelou um conjunto mais amplo de perigos que exigem atenção internacional. Os especialistas recomendam que os governos destinem recursos financeiros e humanos à antecipação, prevenção e preparação para crises. A avaliação ressalta que enfrentar essas ameaças de maneira integrada é fundamental para reduzir seus impactos. A cooperação internacional e o planejamento de longo prazo são considerados essenciais para proteger a saúde pública. O relatório conclui que as escolhas políticas e os investimentos realizados atualmente poderão determinar o futuro da humanidade ao longo deste século.

 

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