O diretor do Escritório de Orçamento do Congresso, Phillip Swagel, considera a situação administrável, mas alerta para a crescente vulnerabilidade fiscal. Segundo ele, choques econômicos acompanhados de juros mais altos podem acelerar perigosamente o endividamento. O mecanismo é cumulativo: juros maiores elevam o déficit, ampliam a dívida e pressionam novamente as taxas. O órgão projeta que a relação entre dívida e PIB ultrapassará 106% em 2030, atingindo um recorde. Os pagamentos de juros já figuram entre as três maiores despesas federais, atrás apenas da Previdência Social e do Medicare. Defesa e Medicaid completam a lista das cinco principais despesas do governo americano. A última vez que os custos com juros atingiram proporções semelhantes, nos anos 1990, houve mobilização política para enfrentar o problema. O presidente George H. W. Bush sancionou aumentos de impostos em 1990, seguido por novas elevações tributárias durante o governo Bill Clinton, em 1993. Naquela década, o fim da Guerra Fria reduziu os gastos militares, enquanto o crescimento econômico impulsionado pela tecnologia ampliou a arrecadação. Atualmente, o governo Donald Trump aposta na expansão da inteligência artificial para estimular a economia e melhorar a relação dívida/PIB. Especialistas, entretanto, duvidam que esse crescimento seja suficiente para compensar a expansão dos gastos sociais e militares. Brett Loper, da Peterson Foundation, defende medidas imediatas para evitar que o problema se transforme em uma crise. Uma elevação de um ponto percentual nos rendimentos dos títulos poderia acrescentar US$ 310 bilhões aos custos de juros em 2027. Economistas avaliam que uma crise não é iminente, mas alertam que o endividamento elevado pode produzir um efeito bola de neve e aumentar a pressão por ajustes fiscais.

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