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domingo, 18 de outubro de 2026

GASTOS COM JUROS DA DÍVIDA PÚBLICA NOS EUA ATINGEM RECORDE


Os gastos com juros da dívida pública dos Estados Unidos atingiram recorde no ano fiscal de 2026, ampliando a pressão sobre as contas do governo. No período de 12 meses encerrado em setembro, os pagamentos líquidos de juros somaram US$ 1,05 trilhão, alta superior a 8% sobre 2025. Segundo a Peter G. Peterson Foundation, esses custos chegaram a 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB), superando o recorde anterior, de 1991. O avanço reflete o crescimento da dívida e as taxas de juros mais elevadas. Uma das principais medidas da dívida americana supera US$ 32 trilhões, cerca de US$ 10 trilhões acima do nível registrado cinco anos atrás. A taxa média dos títulos negociáveis do Tesouro alcançou 3,52% em setembro, mais que o dobro dos 1,47% de cinco anos antes. Atualmente, os rendimentos dos títulos americanos estão próximos de 5%. Diante dessa alta, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, adotou medidas para conter a pressão sobre os juros. Apesar das preocupações, economistas afirmam que os Estados Unidos ainda não enfrentam uma crise fiscal. Os leilões de títulos continuam registrando demanda sólida, e o crédito não apresenta restrições significativas. Para Louise Sheiner, pesquisadora da Brookings Institution, o problema representa uma deterioração gradual da capacidade fiscal. Ela alerta, porém, que uma eventual perda de confiança dos credores poderia dificultar a captação de recursos e desencadear uma crise. Gennadiy Goldberg, da TD Securities, observa que o crescimento nominal da economia ainda supera os rendimentos dos títulos públicos. No segundo trimestre, o PIB nominal cresceu 6,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. 

O diretor do Escritório de Orçamento do Congresso, Phillip Swagel, considera a situação administrável, mas alerta para a crescente vulnerabilidade fiscal. Segundo ele, choques econômicos acompanhados de juros mais altos podem acelerar perigosamente o endividamento. O mecanismo é cumulativo: juros maiores elevam o déficit, ampliam a dívida e pressionam novamente as taxas. O órgão projeta que a relação entre dívida e PIB ultrapassará 106% em 2030, atingindo um recorde. Os pagamentos de juros já figuram entre as três maiores despesas federais, atrás apenas da Previdência Social e do Medicare. Defesa e Medicaid completam a lista das cinco principais despesas do governo americano. A última vez que os custos com juros atingiram proporções semelhantes, nos anos 1990, houve mobilização política para enfrentar o problema. O presidente George H. W. Bush sancionou aumentos de impostos em 1990, seguido por novas elevações tributárias durante o governo Bill Clinton, em 1993. Naquela década, o fim da Guerra Fria reduziu os gastos militares, enquanto o crescimento econômico impulsionado pela tecnologia ampliou a arrecadação. Atualmente, o governo Donald Trump aposta na expansão da inteligência artificial para estimular a economia e melhorar a relação dívida/PIB. Especialistas, entretanto, duvidam que esse crescimento seja suficiente para compensar a expansão dos gastos sociais e militares. Brett Loper, da Peterson Foundation, defende medidas imediatas para evitar que o problema se transforme em uma crise. Uma elevação de um ponto percentual nos rendimentos dos títulos poderia acrescentar US$ 310 bilhões aos custos de juros em 2027. Economistas avaliam que uma crise não é iminente, mas alertam que o endividamento elevado pode produzir um efeito bola de neve e aumentar a pressão por ajustes fiscais.

 

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