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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

"IA ENTROU NO COTIDIANO DAS EMPRESAS"

Paulo Humaitá, fundador e CEO da Bluefields
A inteligência artificial entrou rapidamente no cotidiano das empresas, passando dos laboratórios para reuniões estratégicas e operações diárias. Sua expansão levanta dúvidas sobre o futuro do trabalho e o papel dos profissionais. Enquanto alguns temem a eliminação de empregos em massa, outros acreditam que a tecnologia resolverá problemas antigos de produtividade. Na prática, porém, a IA está reorganizando o trabalho, e não simplesmente acabando com ele. A automação de tarefas repetitivas permite que as pessoas dediquem mais tempo à criatividade, ao julgamento e aos relacionamentos. Processos que levavam semanas podem ser realizados em poucas horas. Entretanto, é importante alternar o uso da inteligência artificial com atividades mais artesanais, preservando a criatividade humana e o valor dos processos criativos demorados. Nesse cenário, as habilidades comportamentais, conhecidas como soft skills, ganham importância. Segundo o Fórum Econômico Mundial, até 2030 serão criados 170 milhões de empregos e deslocados 92 milhões. Além disso, 39% das habilidades profissionais atuais deverão mudar ou perder relevância. O desafio não consiste apenas em aprender a utilizar novas ferramentas, mas também em desenvolver pensamento crítico, colaboração, sensibilidade ética, criatividade e capacidade de adaptação. No Brasil, o uso da inteligência artificial pelas empresas passou de 13% para 17% em um ano, segundo pesquisa TIC Empresas, realizada pelo Cetic.br. Nas startups, a tecnologia permite testar ideias rapidamente, ampliar operações e desenvolver novos serviços.

Contudo, esses avanços dependem de planejamento estratégico, dados de qualidade e responsabilidade. A IA pode ampliar resultados, mas não substitui a clareza de objetivos nem uma gestão eficiente. Por isso, a transformação tecnológica também exige investimentos em formação contínua, cultura organizacional e governança. As lideranças devem preparar suas equipes com transparência, enquanto instituições de ensino e governos precisam promover a requalificação profissional e estabelecer regras para o uso ético da tecnologia. O futuro do trabalho dependerá menos da potência dos algoritmos do que das decisões humanas sobre sua utilização. A inteligência artificial deve contribuir para desenvolver e valorizar novas competências, com oportunidades distribuídas de maneira mais justa. A prioridade, portanto, é substituir o medo pelo preparo e o deslumbramento pela estratégia. O sucesso dessa transformação dependerá das escolhas feitas pelas empresas e pela sociedade desde agora.

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