
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, do Tribunal de Justiça da Bahia, a 14 anos e 11 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A decisão foi unânime na Corte Especial e determinou também a perda do cargo público da magistrada. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. A defesa recebeu a condenação com perplexidade e anunciou que recorrerá. O advogado Gamil Föppel afirmou que não existem provas idôneas do esquema de corrupção e criticou a interpretação de uma operação financeira entre irmãos como pagamento de propina. Também contestou o uso de anotações pessoais de caráter místico e espiritual para avaliar a personalidade da desembargadora e agravar a pena. O julgamento é o primeiro de mérito de uma ação penal derivada da Operação Faroeste, que investigou a venda de decisões judiciais para facilitar a grilagem de terras no oeste baiano. Na mesma sessão, o STJ condenou o empresário Adailton Maturino dos Santos a 21 anos e sete meses de prisão, e sua mulher, Geciane Souza Maturino dos Santos, a 16 anos e quatro meses. Conhecido como falso cônsul, Maturino se apresentava como representante da Guiné-Bissau no Brasil, embora não tivesse autorização do Itamaraty. Também foram condenados o juiz aposentado Sérgio Humberto de Quadros Sampaio, a 15 anos e oito meses, e o advogado Ricardo Augusto Três, a dez anos e nove meses de prisão.
A defesa de Ricardo Três anunciou recurso e sustentou que não houve lavagem de dinheiro nem corrupção. Segundo o advogado, os fatos envolveram uma transação comercial legal de soja. A defesa de Sérgio Humberto foi procurada, mas não respondeu aos contatos da reportagem. Por outro lado, o colegiado absolveu os advogados Valdete Aparecida Stresser e Márcio Duarte Miranda, além da cantora Amanda Santiago, filha da desembargadora. Amanda, que integrou a banda Timbalada entre 1999 e 2007, era investigada por suspeita de receber recursos supostamente ilegais destinados à mãe. Segundo a acusação, as filhas da magistrada teriam sido utilizadas para captar vantagens indevidas. O advogado Gamil Föppel comemorou a absolvição da cantora, afirmando que ela nunca praticou crimes e sofreu injustamente durante anos com o processo. Deflagrada em 2019, a Operação Faroeste começou a partir de uma disputa de terras na divisa entre Bahia, Piauí e Tocantins e avançou com o auxílio de delações premiadas. As investigações alcançaram magistrados, advogados suspeitos de intermediar a venda de decisões judiciais e outras autoridades públicas. No âmbito da operação, oito desembargadores e pelo menos três juízes foram afastados do Tribunal de Justiça da Bahia por determinação do STJ.
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