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domingo, 18 de outubro de 2026

AS MULHERES ATAVÉS DO TEMPO


A história de mulheres de diferentes gerações revela os avanços da autonomia feminina no Brasil. Socorro Vale, de 89 anos, cresceu em uma época em que o casamento era considerado o destino natural das mulheres. Após se separar, em 1973, construiu sua independência e realizou o sonho de empreender no setor da moda. Há 34 anos, mantém uma empresa de moda praia e fitness no Guará, no Distrito Federal. Sua trajetória simboliza mudanças nas relações familiares, no mercado de trabalho e nas escolhas pessoais. A filha, Maria do Carmo, priorizou os estudos e a carreira antes de se casar e ter filhos. Ela destaca que a independência permite às mulheres tomar decisões sem depender da autorização masculina. Entretanto, aponta dificuldades persistentes, como desigualdade salarial e conciliação entre maternidade e profissão. A avó Elizabeth Nadler, de 81 anos, enfrentou dificuldades financeiras após ficar viúva, em 1976. Para sustentar os filhos, vendeu marmitas e joias, cortou cabelos e trabalhou em lojas. Sua experiência demonstra como muitas mulheres precisaram acumular atividades para garantir o sustento familiar. Edna dos Santos Pereira, de 86 anos, também construiu autonomia após perder o marido em 1962. Com três filhos, montou uma serigrafia e posteriormente conquistou reconhecimento como artesã. Apesar dos avanços, especialistas alertam que direitos previstos em lei nem sempre são efetivamente garantidos. A desigualdade é agravada por diferenças de raça, classe social e território. 

Na saúde reprodutiva, a Lei nº 14.443, em vigor desde 2023, eliminou a exigência de autorização do cônjuge para laqueadura e vasectomia. A legislação também estabeleceu novas regras para a esterilização voluntária. Especialistas defendem orientação médica adequada, respeito às decisões individuais e acesso aos serviços de saúde. Na política, as mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro, mas continuam sub-representadas. A partir de fevereiro de 2027, a Câmara dos Deputados terá 109 mulheres entre 513 parlamentares, equivalentes a 21,2% das cadeiras. Pesquisadoras apontam obstáculos como financiamento desigual, pouco apoio partidário e violência política de gênero. A ampliação das candidaturas femininas, por si só, não garante condições iguais de disputa. Também é necessário assegurar participação nas decisões e políticas públicas que promovam a igualdade. Entre as novas gerações, Ana Lyvia Nadler critica discursos conservadores que pressionam mulheres a priorizar o casamento. Ela defende liberdade para escolher relacionamentos e construir trajetórias independentes. Campanhas digitais feministas também ampliaram denúncias de assédio, machismo e violência contra as mulheres. Jovens ativistas defendem educação para a igualdade, autonomia financeira e maior presença feminina nos espaços de poder. Especialistas ressaltam que as mulheres não formam um grupo homogêneo e possuem diferentes posições e experiências. A liberdade conquistada resulta de décadas de resistência e da luta de gerações anteriores. As entrevistadas defendem preservar os direitos existentes e ampliar oportunidades para as mulheres do futuro.

 

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