O encarecimento desses insumos pode reduzir a produtividade e elevar ainda mais os preços. Lario afirma que os governos têm poucas alternativas imediatas, como subsidiar combustíveis e fertilizantes. O G7 anunciou US$ 2,5 bilhões para apoiar países ameaçados pela insegurança alimentar, com atenção especial ao fornecimento de fertilizantes. Além dos custos elevados, o fenômeno climático El Niño ameaça as colheitas na África, na Ásia e na América Latina, agravando os riscos de escassez. Na América Central, já foram registradas perdas de milho e feijão em El Salvador e Honduras. Na Índia, a irregularidade das monções reduz a disponibilidade de água para a agricultura. Filipinas, Indonésia e África do Sul também estão expostas a perdas de produtividade. Especialistas alertam que adaptar rapidamente os cultivos é difícil e pode custar caro. Para combater a fome, o FMI recomenda transferências de renda direcionadas às famílias vulneráveis e programas de alimentação escolar. O Fida defende investimentos de três a cinco anos para fortalecer os sistemas alimentares, ampliando a irrigação, o armazenamento, o processamento local e o acesso aos mercados. A entidade atua em cerca de 90 países e busca recursos privados para ampliar suas ações. Lario ressalta que a agricultura depende da saúde do solo e da disponibilidade de água, ambas ameaçadas pelas mudanças climáticas. Menos de 1% do financiamento climático mundial chega aos pequenos agricultores, que precisam de irrigação eficiente, sementes resistentes à seca e proteção das áreas costeiras.

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