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sábado, 24 de outubro de 2026

RADAR JUDICIAL


PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR CONTRA DELEGADO 

A Polícia Civil da Bahia instaurou processo administrativo disciplinar para apurar suspeitas de assédio moral e nepotismo envolvendo o delegado Marcos Reis. Atualmente, ele é titular da delegacia de Ubaitaba, no Sul da Bahia. As denúncias, porém, referem-se ao período em que atuava em Eunápolis. Segundo a portaria, o delegado teria tratado servidoras subordinadas de forma grosseira, desrespeitosa e constrangedora. A investigação também apura suspeita de nepotismo envolvendo sua esposa. Ela trabalharia sob chefia direta do marido na unidade policial. Entre suas funções estariam o registro de procedimentos, boletins de ocorrência e inquéritos. Ele também respondia pela unidade policial de Itagimirim. Desde fevereiro deste ano, está à frente da delegacia de Ubaitaba. A instauração do processo foi publicada ontem, 23. A portaria foi assinada pelo delegado-geral da Polícia Civil, André Viana. O documento estabelece prazo de 60 dias para apurar as supostas irregularidades funcionais.


PF INVESTIGA DISPUTA DE ILHA ENTRE JOGADOR E ADVOGADO

A Polícia Federal investiga a disputa por uma ilha no Rio de Janeiro entre o jogador Richarlison e o advogado Willer Tomaz, ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A apuração ocorrerá em inquérito já aberto para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro atribuídas ao advogado. Richarlison afirma ter pago R$ 10 milhões pelo imóvel, mas acusa Tomaz e Flávio de terem tomado a ilha. A investigação foi solicitada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A PF também avaliará a atuação da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), responsável pela regularização dos direitos sobre a área. Em vídeo nas redes sociais, Lula questionou como o jogador teria perdido a posse do local em pouco tempo. Segundo o presidente, Tomaz e Flávio visitaram a ilha, registraram imagens com drone e procuraram a SPU. Lula afirmou que a regularização teria ocorrido em apenas uma semana e pediu investigação sobre possíveis irregularidades. O presidente, porém, apresentou essas informações como suspeitas a serem apuradas. Willer Tomaz contestou a versão divulgada por Lula e Richarlison. O advogado afirmou que possui documentos que comprovam seus direitos sobre o imóvel. Tomaz também declarou que Richarlison perdeu uma ação judicial por não ter direitos sobre a ilha.


LULA PODE ULTRAPASSAR FLÁVIO

O ex-diretor do Datafolha Mauro Paulino avalia que Lula (PT) pode ultrapassar Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial de domingo (25/10). Em entrevista ao canal UOL, na sexta-feira (23/10), ele apontou recuperação do petista e recuo do senador nas pesquisas. Segundo Paulino, há possibilidade de Lula assumir a liderança às vésperas da votação. Os levantamentos indicariam uma migração de votos favorável ao atual presidente. O especialista ponderou, porém, que ainda não é possível saber se essa tendência ganhará força a tempo. Ele destacou que o movimento aparece tanto no Datafolha quanto em outras pesquisas eleitorais. A análise considera mudanças nas preferências por faixa etária, gênero e religião. Esses indicadores, segundo Paulino, apontam desgaste da candidatura de Flávio e recuperação de Lula. O ex-diretor ressaltou que os próximos levantamentos serão fundamentais para avaliar essa movimentação. As pesquisas da Quaest e do Datafolha estavam previstas para sábado (24/10), no início da noite. Os resultados poderão oferecer novos elementos para analisar o cenário eleitoral na véspera da votação. Paulino destacou que o curto prazo até o segundo turno limita a consolidação de eventuais mudanças no eleitorado.


AS QUEIMADAS NA AMAZÔNIA 

A Amazônia liberou, em média, 1,17 bilhão de toneladas de CO₂ a mais do que absorveu anualmente entre 2010 e 2024, segundo estudo publicado na revista Nature. As queimadas foram a principal causa, emitindo cerca de 1,47 bilhão de toneladas de CO₂ por ano. A pesquisa, liderada por cientistas do Inpe, aponta as atividades humanas como responsáveis pelo desequilíbrio. Os pesquisadores defendem a redução drástica das queimadas, o desmatamento zero e a restauração florestal para evitar o colapso do bioma. Entre 2010 e 2024, a degradação florestal reduziu as chuvas anuais em 8% e em 20% no auge da estação seca. No mesmo período, a temperatura média anual aumentou 1,13°C, chegando a 1,81°C durante a estação seca. Esse cenário cria um ciclo perigoso: menos vegetação provoca redução das chuvas e aumento das temperaturas, favorecendo novos incêndios. Em 2026, a Amazônia registrou mais de 41,3 mil focos de incêndio em menos de dez meses, aproximando-se do total de 2025. A fumaça atingiu municípios do Amazonas, especialmente Manaus, causando problemas respiratórios e suspensão de aulas. O estudo constatou que, em anos de maior desmatamento e secas intensas, a floresta passou de absorvedora a emissora de carbono. Nos períodos mais críticos, o balanço chegou a 1,8 bilhão de toneladas de CO₂ por ano. Para a pesquisadora Luciana Gatti, é fundamental investir em políticas públicas que valorizem a floresta em pé e fortaleçam a ciência e a conservação ambiental.


CORINA CRITICA PARCEIRO AMERICANO NA VENEZUELA

María Corina Machado, líder da oposição venezuelana no exílio, criticou o empresário Alejandro Betancourt, parceiro dos EUA no setor petrolífero da Venezuela, acusando-o de corrupção. Betancourt fechou um acordo com o governo Trump para controlar cerca de 20% das reservas de petróleo venezuelanas. Segundo denúncias, ele enriqueceu com contratos de energia sem licitação e suspeitas de superfaturamento. Corina afirmou que ele não seria um parceiro confiável caso ela chegasse ao poder. A opositora também criticou Washington por negociar com Delcy Rodríguez, aliada do antigo regime, enquanto a mantém afastada da Venezuela. Impedida de retornar ao país, Corina promete voltar em breve e mobilizar seus apoiadores. Pesquisa da Bloomberg indica que 52% dos entrevistados votariam nela, contra 19% em Delcy. Corina disse acreditar que Trump deseja uma transição democrática, embora critique a aproximação com integrantes do chavismo. Ela garantiu que respeitará contratos petrolíferos que estejam de acordo com as leis venezuelanas. Sobre possíveis crimes cometidos pelo regime, afirmou que determinadas violações não admitem anistia nem perdão. Após a contestada eleição de 2024, milhares protestaram, mais de 2 mil pessoas foram presas e dezenas morreram. Corina defende eleições livres, instituições democráticas e investimentos internacionais para reconstruir a Venezuela.

Salvador, 24 de outubro de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados. 

 

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