Solange Mendes Souza realizou, aos 64 anos, o sonho de viajar pelo mundo, adiado desde a adolescência. Após a morte do pai e do irmão em um acidente, ela mudou seus planos. Casou-se quatro vezes, formou-se em direito e construiu uma carreira de sucesso no Ministério Público Federal. Aposentada, decidiu transformar o antigo desejo em realidade com o projeto Piano Nômade. Para viajar, adaptou um motorhome, solução mais econômica que hotéis e mais confortável que mochilas. Também retomou outro sonho: tocar piano, interrompido na infância por uma experiência desagradável. Durante a pandemia, voltou a estudar o instrumento em aulas on-line. Decidiu então levar um piano digital Roland em suas viagens pelo mundo. O motorhome ficou pronto em novembro de 2024, e os primeiros trajetos ocorreram no Sul do Brasil. As viagens iniciais serviram para testar o veículo, que exige cuidados diferentes dos de um automóvel comum. Depois, passou um mês no Uruguai e três meses na Argentina. Ao retornar pelo Paraguai, enfrentou uma fronteira caótica, com insegurança e ofertas de câmbio irregular. Apesar disso, surpreendeu-se com a qualidade das estradas paraguaias. Mais tarde, viajou até Ushuaia, no extremo sul da Argentina. De lá, atravessou o estreito de Drake em um veleiro, chegou à Patagônia chilena e visitou a Antártica.
A viagem coincidiu com o aniversário de uma neta, mas Solange decidiu seguir seu plano. Ela brincou que poucas crianças poderiam dizer que a avó estava na Antártica. Outra aventura aconteceu no norte do Chile, quando o fenômeno El Niño provocou inundações e interrompeu estradas. Com o roteiro alterado pelas tempestades, passou dois meses atravessando a América do Sul. Entrou no Brasil pelo Acre e seguiu até Porto Alegre, onde mantém sua residência fixa. Aos 67 anos, ela rebate as críticas de quem considera suas viagens perigosas. Para Solange, ficar parada no sofá também representa riscos. Segundo ela, a vida nômade custa entre 50% e 70% do que gastaria vivendo permanentemente em casa. Mesmo com passagens aéreas para compromissos familiares e despesas da residência, os gastos permanecem menores. Agora, planeja adquirir um motorhome mais potente e percorrer a América do Norte. A ideia é levar um piano acústico do México ao Alasca, permanecendo entre três e quatro anos na região. Ela pretende alternar natureza e cidades, mantendo também uma rotina de academia e musculação. Aos 67 anos, Solange demonstra que nunca é tarde para realizar sonhos e descobrir novos caminhos.

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