Pesquisar este blog

sábado, 24 de outubro de 2026

AMERICANOS TEMEM EXPANSÃO DA "IA" E SUBSTITUAM TRABALHADORES


A rápida expansão da inteligência artificial (IA) provoca temores de que computadores substituam trabalhadores, deixando milhões de americanos sem emprego e renda estável. 
Diante desse risco, parlamentares dos Estados Unidos começam a discutir medidas para fortalecer a proteção social e preparar o país para possíveis transformações econômicas. Democratas e republicanos apresentaram projetos para compensar eventuais perdas de empregos causadas pela tecnologia. As propostas refletem a preocupação de que o governo esteja atrasado na preparação para essas mudanças. O senador democrata Ron Wyden deverá apresentar um projeto para ampliar o seguro-desemprego, que atualmente cobre parte dos salários por até 26 semanas. A proposta prevê ajuda adicional em períodos de desemprego elevado e até 26 semanas extras de assistência para trabalhadores que perderem seus empregos devido à tecnologia, permitindo a aquisição de novas competências. Wyden considera irresponsável não preparar o país para os riscos da IA e afirma que o Congresso deve ajudar os cidadãos preocupados com a possibilidade de perderem seus empregos. Enquanto empresas do Vale do Silício projetam crescimento econômico expressivo, especialistas também alertam para impactos profundos sobre o mercado de trabalho. Um dos cofundadores da Anthropic prevê que a produção americana poderá crescer quase 50% até 2030. Entretanto, o presidente da empresa, Dario Amodei, alerta que a IA poderá transformar radicalmente a vida de milhões de trabalhadores. Por enquanto, economistas não identificam efeitos generalizados da tecnologia sobre o emprego. Um relatório do Goldman Sachs, porém, aponta dificuldades de contratação em setores mais vulneráveis à automação. Martha Gimbel, diretora do Yale Budget Lab, ressalta que ainda é difícil medir os impactos econômicos da IA em tempo real. 

A preocupação levou parlamentares dos dois partidos a defenderem melhores mecanismos para acompanhar as mudanças. Um projeto dos senadores Josh Hawley, republicano, e Mark Warner, democrata, exigiria informações mais detalhadas sobre demissões relacionadas à tecnologia. Warner acredita que a IA poderá criar novas categorias profissionais no longo prazo, mas destaca a falta de dados confiáveis sobre os efeitos imediatos. Apesar do apoio bipartidário a algumas iniciativas, os projetos enfrentam resistência no Congresso. A maioria republicana acompanha Donald Trump em uma abordagem de pouca intervenção no setor. Conservadores argumentam que medidas restritivas poderiam prejudicar os grandes investimentos em inteligência artificial e comprometer o crescimento econômico. Enquanto assessores de Trump rejeitam a perspectiva de demissões em massa, democratas defendem políticas para proteger os trabalhadores afetados. O senador Mark Kelly propõe tributar os lucros das grandes empresas de tecnologia para financiar benefícios e programas de capacitação profissional. Outra iniciativa, do deputado Greg Casar, destinaria impostos sobre empresas tecnológicas a investimentos em infraestrutura e geração de empregos. A proposta de Wyden, chamada Lei de Estabilidade e Oportunidade para os Trabalhadores, tem apoio de senadores como Elizabeth Warren, Michael Bennet e Chuck Schumer, mas não conta com o respaldo das empresas de IA. O projeto também elevaria o valor mínimo do seguro-desemprego e ampliaria o número de beneficiários. Atualmente, o auxílio cobre, em média, menos da metade da renda anterior dos trabalhadores. A iniciativa ainda não possui estimativa oficial de custos nem define como os benefícios adicionais seriam financiados. Wyden também defende a tributação de gigantes tecnológicas e centros de dados para que contribuam com os custos sociais e econômicos provocados por suas atividades. O senador reconhece, porém, que ainda há muito trabalho a fazer para viabilizar as medidas. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário