
O regime cubano ironizou ontem, 23, o “desespero” dos Estados Unidos após Washington convocar cidadãos da ilha a colaborar com a CIA, em meio à intensificação da pressão americana sobre Havana. O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, criticou a iniciativa em publicação na rede social X. Segundo ele, o recrutamento público demonstraria desespero ou dificuldades dentro da agência de inteligência americana. O chamado foi feito pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que convidou pessoas interessadas em mudanças políticas em Cuba a procurar a CIA para estabelecer uma parceria discreta. Horas antes, o presidente Donald Trump havia afirmado que os Estados Unidos “vão dar um jeito em Cuba” depois de lidar com o Irã. Ele também declarou que Rubio seria enviado à ilha para “finalizar o acordo”, sem apresentar detalhes. Em setembro, Trump já havia manifestado confiança em um entendimento diplomático com Havana e afirmado que não considerava necessária uma intervenção militar. Em outras ocasiões, porém, defendeu a mudança do regime comunista cubano. A relação entre os dois países é marcada por décadas de tensão. Os Estados Unidos mantêm um embargo econômico contra Cuba há mais de 60 anos e ampliaram a pressão sobre a ilha após a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro. A situação cubana também é agravada por uma profunda crise econômica, social e energética. No início do ano, Washington impôs restrições ao fornecimento de petróleo, contribuindo para a escassez de combustíveis e os frequentes apagões.
A deterioração da infraestrutura do país intensifica as dificuldades enfrentadas pela população. Diante desse cenário, o chanceler cubano afirmou, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em setembro, que Havana continuava aberta ao diálogo com Washington. Na mesma ocasião, Trump ameaçou recorrer à força militar na América Latina e no Caribe. Na sexta-feira, entretanto, não esclareceu os termos do acordo que mencionou nem explicou como conciliaria eventuais negociações com seu objetivo de promover uma mudança de regime em Cuba. A postura do presidente americano em relação à ilha tem sido ambígua, alternando ameaças e sinais de abertura diplomática. Em março, Trump afirmou que teria a honra de “tomar Cuba” e que poderia fazer o que quisesse com o país, que classificou como uma nação falida. Em maio, declarou acreditar que um acordo diplomático estava próximo, mesmo sem uma eventual mudança de regime. Paralelamente, o jornal The New York Times informou que as Forças Armadas dos Estados Unidos e de Israel elaboraram planos para retomar os ataques contra o Irã após as eleições legislativas americanas de novembro, segundo autoridades e pessoas familiarizadas com as discussões.
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