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sábado, 17 de outubro de 2026

TRUMP DEIXA UCRÂNIA E APROXIMA DE PUTIN


O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, recebeu apoio de líderes europeus em Bruxelas, em meio ao agravamento da crise com Donald Trump. O encontro ocorreu após Washington retomar posições favoráveis à Rússia na guerra iniciada em 2022. Zelenski criticou a aproximação americana com Vladimir Putin e a redução da assistência militar e tecnológica. Segundo ele, somente os Estados Unidos dispõem de capacidades essenciais para detectar ataques russos. O apoio inclui informações de satélites e sistemas de comunicação militar, como o Starlink. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, reconheceu que a Europa não consegue oferecer essas capacidades atualmente. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou trabalhar para ampliar a ajuda a Kiev. Zelenski pediu o fornecimento mínimo necessário de mísseis Patriot para enfrentar o inverno. A promessa belga de entregar mais caças F-16 usados foi uma das poucas notícias positivas. A crise começou após Trump reclamar dos ataques ucranianos contra refinarias russas. O presidente americano também enfrenta pressão interna devido à alta dos combustíveis antes das eleições legislativas de novembro. Trump busca atribuir a Zelenski parte da responsabilidade pela inflação energética nos Estados Unidos. O preço médio do galão de combustível, que era de US$ 3,90 antes da guerra no Oriente Médio, chegou a cerca de US$ 6,20. Especialistas relacionam a alta principalmente à guerra no Irã e às tensões no mercado internacional de petróleo. Os conflitos envolvendo a Arábia Saudita e os rebeldes houthis do Iêmen também contribuem para a instabilidade. 

A circulação irregular de petróleo pelo estreito de Hormuz agrava as preocupações com o abastecimento. Em julho, a Rússia suspendeu exportações de derivados, afetando países compradores, inclusive o Brasil. Na semana anterior, Trump defendeu um acordo para comprar diesel russo e pediu a saída de Zelenski do poder. Também anunciou um cessar-fogo parcial no setor energético sem consultar adequadamente os envolvidos. Posteriormente, Kiev enfrentou limitações no acesso a informações de inteligência e instabilidade nos serviços militares de satélite. O compartilhamento de imagens aparentemente foi restabelecido, mas persistiram problemas no sistema Starshield. Enquanto a Rússia continuava bombardeando instalações energéticas ucranianas, Zelenski aderiu inicialmente à trégua parcial. Depois, voltou a atacar refinarias russas, provocando novas críticas de Trump. O americano acusou o ucraniano de elevar os preços mundiais do petróleo e classificou os ataques como vergonhosos. Zelenski rebateu, lembrando que a Rússia lançou mil drones contra a Ucrânia em apenas um dia. Na avaliação ucraniana, Washington considera difícil negociar com Kiev, embora Moscou mantenha a ofensiva. A crise favorece Putin, que procura explorar as divergências entre os Estados Unidos e seus aliados europeus. Pela primeira vez, a televisão estatal russa exibiu imagens dos danos causados por drones em uma refinaria de Riazan. Putin também declarou inegociável a criação de uma zona de segurança na fronteira nordeste ucraniana. Moscou afirma controlar 70% dessa área e sustenta que pretende incorporá-la à sua estratégia territorial. O presidente russo declarou ainda que falta conquistar 10% da região de Donetsk, uma das áreas anexadas ilegalmente em 2022. A divisão ocidental fortalece a posição estratégica de Putin, enquanto a Ucrânia continua dependente de apoio militar externo.

 

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