A costarriquenha Rebeca Grynspan, de 70 anos, continua liderando a disputa. Diretora da agência da ONU para Comércio e Desenvolvimento, ela obteve nove apoios e cinco manifestações contrárias. Entre os votos, três apoios e dois vetos vieram de membros permanentes. Se eleita, será a primeira mulher, centro-americana e judia a comandar a organização. Filha de refugiados europeus, Grynspan tem familiares mortos pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Relatórios publicados sob sua gestão criticaram os impactos da ocupação israelense em Gaza e na Cisjordânia. Essas posições teriam contribuído para a resistência dos Estados Unidos à sua candidatura. Grynspan também defende cortes de despesas, redução da burocracia e eliminação de tarefas duplicadas na ONU. Ela considera, porém, que economizar não basta para recuperar a influência política da instituição. A segunda colocada é Carolyn Rodrigues Birkett, representante da Guiana, com oito apoios e seis votos contrários. O argentino Rafael Grossi, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, também recebeu oito apoios e seis rejeições. Grossi enfrenta críticas públicas da Rússia, integrante permanente do Conselho de Segurança. A disputa inclui ainda candidatos de Uganda, Senegal e Equador, com trajetórias diplomáticas e políticas distintas. Entre eles estão Olara Otunnu, Macky Sall, María Fernanda Espinosa e Ivonne A-Baki. Sem acordo entre as potências, a definição do sucessor de Guterres permanece incerta.
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sábado, 17 de outubro de 2026
ESCOLHA DO SECRETÁRIO-GERAL DA ONU ESTÁ SUSPENSA
A escolha do próximo secretário-geral da ONU enfrenta um impasse, após a votação realizada ontem, 16. Todos os candidatos receberam pelo menos dois vetos de integrantes permanentes do Conselho de Segurança. A seleção ocorre por meio de votações secretas, chamadas de straw polls, com os 15 membros do Conselho. Os participantes indicam se apoiam, rejeitam ou não têm opinião sobre cada candidato. Nesta rodada, os votos dos cinco membros permanentes foram identificados por cédulas vermelhas. China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia têm poder de veto sobre a escolha. Para avançar, o candidato precisa de nove votos favoráveis, incluindo os cinco membros permanentes. Depois, o nome escolhido será submetido à Assembleia Geral, composta por 193 países. O atual secretário-geral, António Guterres, deixará o cargo no fim deste ano, após dois mandatos. A expectativa é que seu sucessor seja escolhido antecipadamente para facilitar a transição. Diante do impasse, pode surgir um novo candidato negociado entre as potências permanentes. Outra possibilidade é algum concorrente conseguir a retirada dos vetos recebidos. Há precedentes de decisões próximas ao fim do mandato, como a eleição de Kofi Annan, em dezembro de 1996. Na ocasião, a França retirou seu veto, permitindo a escolha do ganês.
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