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sábado, 17 de outubro de 2026

VORCARO TEVE ACESSO A INFORMAÇÕES DE INQUÉRITO


Mensagens no celular de Daniel Vorcaro indicam que ele teve acesso a informações de um inquérito sigiloso sobre suspeitas de uso de informações privilegiadas envolvendo o Banco Master e Nelson Tanure. 
Em fevereiro de 2024, o ex-banqueiro acionou Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, para obter mais detalhes sobre a investigação.
Sicário teria recorrido a uma rede clandestina com acesso a sistemas da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Vorcaro também discutiu com o advogado Fábio Medina Osório a possibilidade de se antecipar às autoridades para evitar medidas cautelares, como buscas e apreensões. Em 15 de fevereiro, um advogado enviou a Vorcaro informações sobre o inquérito, que apurava possíveis crimes contra o sistema financeiro e o mercado de capitais.
Um minuto depois, Vorcaro encaminhou o material a Sicário, pedindo uma verificação urgente. Ele respondeu que mobilizaria contatos para dar atenção especial ao caso. Segundo investigação no Supremo Tribunal Federal, Sicário repassou o assunto a uma rede de espionagem que envolvia policiais federais aposentados e da ativa. As mensagens também mostram que Medina Osório enviou a Vorcaro os autos integrais do inquérito e sugeriu que ele cooperasse com o Ministério Público. O advogado propôs apresentar-se como responsável pelo programa de compliance do Banco Master e preparar documentos para demonstrar colaboração com as investigações. Segundo Osório, a estratégia poderia reduzir o risco de medidas cautelares contra o banqueiro.

Vorcaro, porém, pediu que ele não procurasse as autoridades naquele momento, e a proposta não avançou. Em nota, Osório afirmou ter recebido a cópia do inquérito de um jornalista e sustentou que sua intenção era incentivar a cooperação com o Ministério Público. Disse ainda que só tomou conhecimento da atuação de Sicário por meio da reportagem. A investigação sobre uso de informações privilegiadas avançou contra Nelson Tanure, que se tornou réu em janeiro de 2026, acusado de obter vantagens em negociações de ações da Gafisa. O Banco Master ingressou no processo como parte interessada, representado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF. O caso teve origem em uma denúncia apresentada, em 2022, por Vladimir Timmerman, gestor da ESH Capital. Tanure nega irregularidades e afirma que as operações foram debatidas e aprovadas pela maioria dos acionistas da Gafisa. Sua defesa também sustenta que a Comissão de Valores Mobiliários não apontou ilegalidades na operação. Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, morreu em março de 2026, após suicidar-se na carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais.

 

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