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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

MARCHA PELA EDUCAÇÃO PÚBLICA EM BUENOS AIRES


Milhares de professores universitários e estudantes marcharam em Buenos Aires para exigir que o presidente Javier Milei cumpra a Lei de Financiamento Universitário. A manifestação terminou em confronto entre policiais e um grupo de encapuzados diante do Congresso argentino. As forças de segurança utilizaram bombas de gás lacrimogêneo e canhões d’água para dispersar os manifestantes. Faixas com frases como “Milei, cumpra a lei” e “A universidade pública é um direito, não um privilégio” marcaram o protesto. Esta foi a quinta Marcha Universitária desde a posse de Milei, em dezembro de 2023. Até o fechamento da edição, o presidente não havia se pronunciado sobre a mobilização. A ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, criticou os manifestantes e os acusou de promover o caos. Um estudo da Universidade de Buenos Aires apontou forte deterioração dos recursos destinados ao ensino superior público. Os investimentos nas universidades caíram 40,5% em termos reais na comparação entre os primeiros semestres de 2023 e 2026. O professor Miguel De Luca, da Universidade de Buenos Aires, afirmou que os salários docentes estão congelados desde a posse de Milei. Segundo ele, os rendimentos perderam poder de compra diante do aumento do custo de vida. O Congresso aprovou uma lei para financiar as universidades e atender às reivindicações dos professores. Milei vetou a medida, mas o Legislativo voltou a defendê-la entre agosto e outubro de 2025. De Luca acrescentou que a Justiça também determinou que o governo concedesse os reajustes salariais previstos. Apesar das decisões judiciais, o governo continua sem cumprir integralmente a legislação, segundo o professor. Entre as consequências estão a saída de docentes para instituições privadas ou para o exterior. 

A crise também afeta o sistema científico nacional e provoca suspensões de aulas nas universidades. A lei prevê a atualização dos salários pela inflação desde dezembro de 2023. Também determina a recomposição das bolsas estudantis e dos recursos necessários ao funcionamento das instituições. O secretário-geral da Associação Gremial Docente, Nicolás García Roel, destacou o caráter multissetorial da manifestação. Ele afirmou que a mobilização reuniu diferentes setores em defesa da educação pública e do cumprimento da lei. A legislação abrange o financiamento das 57 universidades argentinas e a recomposição salarial de professores e funcionários. Segundo Roel, a norma estabelece aumento imediato de 35% para recuperar perdas salariais acumuladas. Mais de 10 mil professores universitários teriam renunciado desde o início do governo Milei por causa dos baixos salários. Os docentes que permaneceram nos cargos passaram a buscar outras ocupações para complementar a renda. Alguns trabalham informalmente como motoristas de aplicativos, incluindo o Uber, para sobreviver. A sobrecarga reduz o tempo disponível para preparar aulas, corrigir trabalhos e desenvolver pesquisas acadêmicas. Roel afirmou que os professores continuarão mobilizados contra o descumprimento da legislação pelo governo. Ele também criticou os prejuízos aos salários e ao funcionamento regular das universidades. De Luca declarou que as marchas anteriores foram pacíficas e acusou as forças de segurança de reprimir o ato. O professor acredita que Milei dificilmente mudará de posição, por considerar que o setor universitário não o apoiará politicamente.

 

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