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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

EUA INSTALAM ESCRITÓRIO EM ASSUNÇÃO


O Paraguai assinou um acordo com os Estados Unidos para instalar, em Assunção, um escritório de combate ao narcotráfico e ao crime organizado. A iniciativa integra o Escudo das Américas, aliança criada pelo presidente Donald Trump, e amplia a presença americana na América do Sul. O Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL) será o primeiro do tipo no Paraguai e funcionará como polo regional de coordenação de programas de segurança no Cone Sul. O acordo foi assinado pelo subsecretário de Estado americano, Christopher Landau, e pelo chanceler paraguaio, Ruben Ramírez Lezcano. O presidente Santiago Peña também viajou a Washington para reuniões com o diretor da CIA, John Ratcliffe, e outras autoridades de segurança. Os Estados Unidos destinarão US$ 5,5 milhões, aproximadamente R$ 27,7 milhões, para ações contra o financiamento do terrorismo, reforço das fronteiras e aprimoramento da análise de provas digitais. O pacto também prevê assistência para monitorar o espaço aéreo paraguaio e interceptar aeronaves suspeitas de transportar drogas. Um assessor americano especializado em contraterrorismo será enviado a Assunção para acompanhar os programas de segurança. A professora Cristina Pecequilo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), considera a iniciativa parte de uma reformulação da presença americana na América Latina, com maior ênfase militar. Segundo ela, a localização do Paraguai é estratégica para o Brasil, devido à usina de Itaipu, ao Mercosul e à proximidade das fronteiras. A presença americana também pode aumentar a pressão sobre países que não integram a aliança. Pecequilo alerta que a instalação do escritório envolve questões delicadas de soberania e representa a intenção de Washington de ampliar sua influência regional sob o argumento do combate ao narcotráfico.

A professora Denilde Holzhacker, da ESPM, também manifesta preocupação com os limites da cooperação. Para ela, o Brasil precisa avaliar possíveis impactos sobre a segurança fronteiriça e o relacionamento com o Paraguai. O sociólogo paraguaio José Carlos Rodríguez considera que o país possui soberania limitada e avalia a instalação do escritório como um possível retrocesso democrático. Ele lembra que, durante a ditadura paraguaia, os Estados Unidos também justificavam sua atuação pelo combate às drogas e à subversão. Rodríguez afirma que o Partido Colorado, que governa o Paraguai, historicamente mantém afinidade com a direita americana e que a presença dos Estados Unidos volta a ganhar força sob a influência do trumpismo. Fundado em março de 2026, o Escudo das Américas reúne Estados Unidos e 14 países latino-americanos. Em setembro, a aliança propôs sanções coletivas contra 24 organizações criminosas consideradas ameaças à segurança regional. Entre os grupos sancionados estão a Mara Salvatrucha, o Tren de Aragua e as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho. Para Pecequilo, a proximidade da presença americana exige atenção brasileira. Embora não identifique, por enquanto, movimentos agressivos contra o Brasil, ela ressalta que a instalação de estruturas estrangeiras já representa uma demonstração de poder e hegemonia na região.

 

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