A professora Denilde Holzhacker, da ESPM, também manifesta preocupação com os limites da cooperação. Para ela, o Brasil precisa avaliar possíveis impactos sobre a segurança fronteiriça e o relacionamento com o Paraguai. O sociólogo paraguaio José Carlos Rodríguez considera que o país possui soberania limitada e avalia a instalação do escritório como um possível retrocesso democrático. Ele lembra que, durante a ditadura paraguaia, os Estados Unidos também justificavam sua atuação pelo combate às drogas e à subversão. Rodríguez afirma que o Partido Colorado, que governa o Paraguai, historicamente mantém afinidade com a direita americana e que a presença dos Estados Unidos volta a ganhar força sob a influência do trumpismo. Fundado em março de 2026, o Escudo das Américas reúne Estados Unidos e 14 países latino-americanos. Em setembro, a aliança propôs sanções coletivas contra 24 organizações criminosas consideradas ameaças à segurança regional. Entre os grupos sancionados estão a Mara Salvatrucha, o Tren de Aragua e as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho. Para Pecequilo, a proximidade da presença americana exige atenção brasileira. Embora não identifique, por enquanto, movimentos agressivos contra o Brasil, ela ressalta que a instalação de estruturas estrangeiras já representa uma demonstração de poder e hegemonia na região.

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