O especialista destacou como inesperada a elevada participação dos cidadãos árabes-israelenses nas eleições. Um dos fatores pode ser o aumento da criminalidade violenta nas comunidades árabes durante o governo Netanyahu. Rami Zeedan, da Universidade do Kansas, avaliou que o resultado representa um importante revés para Netanyahu. Em 2022, seu bloco conquistou 64 cadeiras; agora, deve ficar em torno de 53. Ele continuará primeiro-ministro até a posse de um novo governo e poderá comandar um gabinete interino enquanto as negociações prosseguem. Para Zeedan, a sobrevivência política de Netanyahu dependerá também da capacidade de Eisenkot de formar uma coalizão alternativa. Sem o apoio dos partidos árabes, o bloco da mudança não alcança a maioria. Eisenkot poderá, portanto, reconsiderar sua promessa de não depender dessas legendas. Uma alternativa seria um governo minoritário, apoiado externamente pela Lista Unificada ou pelo Ra'am, sem que os partidos árabes ocupassem ministérios. Essa possibilidade, porém, enfrentaria resistência de aliados de Eisenkot, como Naftali Bennett e Avigdor Liberman. Netanyahu também poderia tentar atrair dissidentes da oposição, embora essa hipótese seja considerada pouco provável. Um governo de unidade nacional permanece possível, mas enfrenta obstáculos significativos.
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quinta-feira, 29 de outubro de 2026
ISRAEL EM DIFICULDADE PARA MONTAR GOVERNO
A oposição liderada pelo ex-comandante militar Gadi Eisenkot e o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não conseguiram maioria nas eleições de Israel. Com 90% das urnas apuradas, a oposição tinha 48 das 120 cadeiras da Knesset, enquanto o Likud, de Netanyahu, somava 53. Os partidos árabes Lista Unificada e Ra'am conquistaram 19 assentos. Para formar governo, são necessárias 61 cadeiras. O presidente Isaac Herzog pediu às forças políticas que façam o possível para construir uma coalizão e evitar novas eleições. Durante a campanha, tanto Eisenkot quanto Netanyahu prometeram não se aliar aos partidos árabes. O líder da Lista Unificada, Yussef Jabareen, defendeu uma aliança judaico-árabe para derrotar Netanyahu e encerrar seus 19 anos no poder, em períodos alternados. Em Tel Aviv, manifestantes de esquerda pressionaram os partidos árabes a apoiar Eisenkot. O Likud acusou os partidos árabes de fraude eleitoral, corrupção, ameaças e violência, mas não apresentou provas. Eisenkot afirmou estar empenhado em promover mudanças e formar um governo sionista, destacando a insatisfação popular com a gestão dos ataques de 7 de outubro e a falta de responsabilização. O cientista político Noam Gidron, da Universidade Hebraica de Jerusalém, considera possível a permanência de Netanyahu. Segundo ele, a oposição está dividida e vários partidos resistem a depender das legendas árabes para governar. Gidron também afirmou que não há evidências que sustentem as acusações de fraude, que poderiam servir para desacreditar os partidos árabes.
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