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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

PRIMEIRO-MINISTRO NETANYAHU PODERÁ PERDER O CARGO


As eleições legislativas em Israel foram marcadas pela polarização e pelo maior comparecimento às urnas desde 1999, com participação de 77,7% dos eleitores. O resultado poderá definir o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que enfrenta críticas pela condução do país após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. O ex-comandante militar Gadi Eisenkot, líder da oposição, afirmou que os resultados preliminares indicam desejo de mudança e defendeu a formação de um novo governo. Segundo ele, os eleitores demonstraram desconfiança na liderança de Netanyahu e na gestão dos acontecimentos de outubro de 2023. As pesquisas de boca de urna apontaram uma disputa acirrada entre os dois blocos, sem maioria garantida no Parlamento, a Knesset, que possui 120 cadeiras. O bloco de Eisenkot teria entre 50 e 53 assentos, enquanto a coalizão governista de Netanyahu alcançaria entre 50 e 60, conforme a emissora consultada. Os partidos árabes, por sua vez, conquistariam entre 16 e 19 cadeiras, tornando-se decisivos nas negociações para formar o próximo governo. Mais de 5,6 milhões dos 7,3 milhões de eleitores compareceram às urnas, em uma participação histórica de 77,7%. Os resultados definitivos eram esperados para quinta-feira (29), e a composição do novo governo dependeria de acordos entre as forças políticas.

O líder do partido árabe Ra'am, Mansur Abbas, sinalizou disposição para negociar tanto com a oposição quanto com aliados de Netanyahu. O primeiro-ministro, entretanto, descartou explicitamente a possibilidade de formar uma coalizão com os partidos árabes. Eisenkot também demonstrou reservas quanto à participação dessas legendas, citando exigências relacionadas ao reconhecimento de Israel como Estado judeu e à oposição ao Hamas. A campanha ocorreu em meio à pressão de Netanyahu por novos ataques contra o Irã, levantando preocupações sobre o uso da segurança nacional para fins eleitorais. Analistas alertaram que a ausência de uma maioria definida poderá prolongar a instabilidade política israelense. Para Dahlia Scheindlin, colunista do jornal Haaretz, a oposição está apenas ligeiramente à frente, e a contagem final poderá alterar o cenário. Ela destacou ainda o crescimento da participação dos cidadãos árabes, que compareceram às urnas em proporção considerada sem precedentes. Netanyahu, que atualmente possui 68 cadeiras parlamentares, pediu aos eleitores que comparecessem em massa para impedir a vitória dos adversários. As eleições também foram marcadas por denúncias de irregularidades. Netanyahu acusou integrantes do Ra'am de tentar fraudar a votação após a detenção de três funcionários com envelopes contendo cédulas. As autoridades eleitorais classificaram o episódio como isolado e informaram que o caso estava sob investigação. O Likud, partido de Netanyahu, solicitou a prorrogação do horário de votação, mas a Comissão Eleitoral rejeitou o pedido. A disputa permanece indefinida, e a formação do próximo governo dependerá dos resultados finais e da capacidade dos partidos de estabelecer alianças.

 

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