A Justiça de São Paulo condenou um médico a 40 anos de prisão, em regime inicial fechado, por lesão corporal após 21 pacientes perderem a visão em cirurgias de catarata realizadas durante um mutirão em São Bernardo do Campo (SP). A sentença foi proferida pela 3ª Vara Criminal. O médico, responsável pelo instituto que organizou o mutirão, ainda pode recorrer. Segundo o processo, falhas na esterilização dos instrumentos provocaram uma infecção bacteriana. A perícia concluiu que todas as vítimas foram contaminadas pela mesma bactéria. O juiz André Luiz Rodrigo do Prado Norcia entendeu que o réu assumiu o risco ao descumprir normas sanitárias, caracterizando dolo eventual.
Depoimentos revelaram que apenas duas caixas de instrumentos eram usadas em sequência para vários pacientes, contrariando os protocolos. Após a substituição dos materiais, as infecções cessaram, reforçando o nexo entre as falhas e os danos. A investigação também apontou que o médico não trocava o avental entre as cirurgias. O caso ocorreu em janeiro de 2016, no Hospital de Clínicas do Alvarenga. Das 27 pessoas operadas, 21 perderam a visão parcial ou totalmente. A decisão trata apenas dos crimes de lesão corporal. O UOL informou que aguarda manifestação da defesa do médico.
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