Aos 80 anos, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou que o país não realizará mais eleições, reforçando a consolidação de um regime de partido único durante as comemorações dos 47 anos da Revolução Sandinista. O Congresso deve votar uma reforma que impedirá partidos de oposição de disputar eleições, medida criticada pela União Europeia, ONU e pelo governo brasileiro, que defenderam eleições livres e plurais. Segundo opositores, o fechamento do sistema político começou em 2016, com a exclusão de parlamentares oposicionistas, a ilegalização de partidos e a nomeação da esposa de Ortega, Rosario Murillo, como vice-presidente. A repressão aos protestos de 2018 marcou a consolidação da ditadura, com prisões, torturas, exílios, censura à imprensa e perseguição à Igreja Católica e à sociedade civil. O ex-deputado Enrique Sáenz afirma que Ortega construiu um projeto dinástico, preparando Rosario Murillo e o filho Laureano Ortega para a sucessão, concentrando poder político e econômico na família.
O jornalista exilado Carlos Fernando Chamorro avalia que Ortega reconhece a incapacidade de derrotar a oposição politicamente e busca legalizar a ausência de eleições. A ativista Yaritzha Mairena, ex-presa política, afirma que o regime institucionalizou o autoritarismo por meio de reformas constitucionais que eliminaram a separação entre Estado e partido e subordinaram todas as instituições ao Executivo. Ela lembra que, antes das eleições de 2021, os principais candidatos oposicionistas foram presos, eliminando qualquer disputa real pelo poder. Para opositores, o fim das eleições representa a etapa final da concentração de poder e reduz praticamente a zero as possibilidades de alternância democrática na Nicarágua.
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