A Organização Internacional do Trabalho (OIT) destaca que o Brasil é referência internacional no combate ao trabalho escravo, embora reconheça lacunas no monitoramento de fornecedores estrangeiros. O país não possui legislação específica que obrigue empresas a verificar se produtos importados foram fabricados com trabalho forçado. O Ministério Público do Trabalho defende uma lei de devida diligência para ampliar a rastreabilidade das cadeias produtivas. O governo brasileiro rejeitou as conclusões americanas, afirmando que não há base factual para as tarifas. Segundo Brasília, barreiras comerciais não combatem o trabalho escravo e apenas elevam custos para empresas e consumidores. O Itamaraty sustenta que o enfrentamento do problema exige cooperação internacional, fiscalização e troca de informações, e não medidas unilaterais. O chanceler Mauro Vieira afirmou que a decisão reflete divergências mais amplas nas negociações entre os dois países e anunciou reação com base na Lei da Reciprocidade.
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sexta-feira, 24 de julho de 2026
EUA IMPÕEM NOVA TARIFA DE 12,5% SOBRE PRODUTOS BRASILEIROS
EUA impuseram ontem, 23, uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, elevando a carga total para até 37,5% em alguns itens, somadas às sobretaxas anunciadas na semana passada. Washington justificou a medida afirmando que o Brasil não possui mecanismos suficientes para impedir a entrada de produtos feitos com trabalho forçado em sua cadeia de importação. Outros 58 países e a União Europeia também foram atingidos. Especialistas, porém, questionam a decisão por falta de provas concretas de mercadorias brasileiras produzidas com trabalho escravo vendidas nos EUA. Além disso, setores brasileiros com maior histórico de casos de trabalho análogo à escravidão, como café e pecuária, ficaram fora das principais sobretaxas. A investigação foi conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. Para analistas, a iniciativa atende também a interesses econômicos e geopolíticos, como proteger a indústria americana, reforçar a política tarifária e ampliar a pressão sobre parceiros comerciais. Especialistas afirmam ainda que a medida integra a estratégia dos EUA de conter a influência da China nas cadeias globais de produção.
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