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domingo, 25 de outubro de 2026

TÍTULOS PÚBLICOS MULTIPLICAM PATRIMÔNIO EM 10,5 VEZES EM 20 ANOS


Uma carteira de títulos públicos brasileiros indexados à inflação multiplicou o patrimônio por 10,5 vezes em 20 anos, segundo o índice IMA-B 5+. O resultado foi quase o dobro do obtido pelo Ibovespa, que multiplicou o capital por 5,3. Assim, R$ 100 mil investidos no IMA-B 5+ teriam alcançado aproximadamente R$ 1,05 milhão, contra R$ 530 mil no Ibovespa. Os números mostram que construir riqueza não exige necessariamente assumir os riscos do mercado acionário. No período, o CDI apresentou retorno anualizado de 10,1%, o IRF-M, de títulos prefixados, rendeu 11,2%, e o IMA-B, de títulos indexados à inflação, alcançou 12,1% ao ano. Já o IMA-B 5+ registrou rendimento anual de 12,5%. Entre os investimentos comparados, o índice de dividendos das ações teve o melhor desempenho, com 13,2% anuais. Entretanto, superou o IMA-B 5+ por apenas 0,7 ponto percentual ao ano, diferença pequena diante dos riscos adicionais da bolsa. A renda fixa, contudo, não é isenta de riscos. Os títulos de longo prazo podem sofrer perdas expressivas quando os juros sobem, embora seus riscos sejam diferentes dos encontrados nas ações. Em 20 anos, R$ 100 mil teriam se transformado em cerca de R$ 685 mil no CDI, R$ 836 mil no IRF-M e R$ 982 mil no IMA-B. No índice de dividendos, o patrimônio chegaria a R$ 1,19 milhão, considerando os rendimentos distribuídos. Esses resultados representam índices de carteiras, e não rentabilidade garantida. Comprar um único título Tesouro IPCA+ e mantê-lo até o vencimento não reproduz necessariamente o desempenho do IMA-B 5+.

Para alcançar R$ 5 milhões após duas décadas, os retornos históricos indicariam investimentos iniciais de aproximadamente R$ 730 mil no CDI, R$ 598 mil no IRF-M, R$ 509 mil no IMA-B e R$ 474 mil no IMA-B 5+. Os valores são nominais e brutos, sem descontar impostos e custos. Também é possível construir patrimônio começando com menos recursos. Uma pessoa que investisse R$ 5 mil mensais, corrigidos pela inflação, poderia alcançar cerca de R$ 5 milhões em poder de compra atual após 30 anos, com rentabilidade real próxima de 6,1% ao ano. O enriquecimento depende, portanto, não apenas dos rendimentos, mas também da disciplina para poupar, reinvestir e preservar o poder de compra. R$ 5 milhões hoje não equivalem ao mesmo valor de duas décadas atrás. Os juros reais historicamente elevados no Brasil ajudam a explicar a competitividade da renda fixa. Para financiar sua dívida, o governo frequentemente ofereceu remunerações superiores às praticadas em economias desenvolvidas. Entretanto, não há garantia de que os próximos 20 anos repetirão os resultados anteriores. Os juros podem cair, a inflação pode mudar e os preços dos títulos podem oscilar. A conclusão não é abandonar as ações, que também podem proporcionar ganhos expressivos. Os dados mostram, porém, que assumir riscos maiores não garantiu retornos superiores no mercado brasileiro. Construir riqueza com renda fixa é uma possibilidade concreta, especialmente para quem aproveita os juros disponíveis, investe com disciplina e permanece aplicado por tempo suficiente. 

TRUMP NÃO CONSEGUE REDUZIR PREÇO DA CARNE


O presidente Donald Trump lançou, em agosto, um plano de três meses para aumentar a importação de carne bovina e reduzir os preços nos Estados Unidos. Porém, na metade do período, os resultados são limitados, com pouco volume adicional importado e pequena queda nos preços. O decreto autorizou a entrada de 300 mil toneladas de aparas de carne bovina magra com tarifas reduzidas, distribuídas entre setembro, outubro e novembro, com limite de 100 mil toneladas mensais. Em setembro, entraram apenas 37.486 toneladas, pouco mais de um terço da cota. Até 19 de outubro, foram importadas outras 21.937 toneladas. O fracasso parcial da iniciativa pode prejudicar os republicanos nas eleições de meio de mandato. Trump reconheceu que os preços da carne se tornaram inaceitáveis para os eleitores e tenta reduzi-los sem perder o apoio dos pecuaristas. Entidades do setor criticaram a medida, alegando que as importações prejudicariam os preços recebidos pelos produtores. No dia do anúncio, o valor do gado vivo caiu 3,4%, embora posteriormente tenha se recuperado. Pecuaristas temem que a intervenção do governo desestimule a expansão dos rebanhos. Para Ford Drummond, presidente da Associação de Pecuaristas de Oklahoma, a tentativa de resolver um problema imediato pode provocar dificuldades futuras no abastecimento. Os consumidores também não perceberam descontos significativos. Trump havia incentivado os importadores a vender a carne com preços 25% inferiores aos de mercado, mas o valor médio de meio quilo de carne moída caiu apenas 1,9% em setembro, passando de US$ 6,92 para US$ 6,79. Um ano antes, custava US$ 6,32.

A Casa Branca afirmou que Trump está cumprindo sua promessa de baratear a carne e permitir o crescimento do rebanho americano. Entretanto, economistas questionam o impacto efetivo do decreto. Os Estados Unidos importaram 1,9 milhão de toneladas de carne bovina no ano passado, principalmente da Austrália, Canadá, Brasil, México e Nova Zelândia. Grande parte dessas importações já era destinada à produção de carne moída. O economista James Mitchell, da Universidade do Arkansas, estimou que entre 41% e 79% das importações de setembro ocorreriam normalmente, mesmo sem a medida presidencial. Portanto, nem todo o volume registrado representa carne adicional. Especialistas também ressaltam que as aparas magras são apenas uma parte do custo da carne moída, que inclui processamento, transporte, mão de obra e outros componentes. Além disso, como frigoríficos misturam carne nacional e importada, os supermercados não conseguem identificar facilmente os produtos beneficiados pelo programa nem oferecer descontos específicos. Segundo Ted Schroeder, economista da Universidade Estadual do Kansas, os preços no atacado das aparas praticamente não mudaram. A pequena redução no varejo pode decorrer apenas do fim da temporada de churrascos. Assim, a iniciativa de Trump ainda não demonstrou capacidade de reduzir significativamente os preços da carne bovina, e o benefício para os consumidores permanece praticamente imperceptível.


MAIORIDADE PENAL AOS 16 ANOS, EIS A QUESTÃO


A três dias do segundo turno, a redução da maioridade penal tornou-se tema de disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Pesquisa Datafolha de junho aponta que 79% dos brasileiros apoiam a medida. As duas campanhas defendem mudanças na Constituição, mas apresentam propostas diferentes. Flávio Bolsonaro propõe reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos como regra geral, além de permitir a responsabilização penal a partir dos 14 anos em crimes graves e hediondos. A proposta foi apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio. Já a alternativa ligada a Lula, articulada pelo senador Camilo Santana (PT-CE), prevê a redução para 16 anos exclusivamente em crimes hediondos, como homicídio qualificado, latrocínio, estupro e extorsão mediante sequestro. Nos demais casos, adolescentes de 16 e 17 anos continuariam submetidos ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Especialistas avaliam que o tema é explorado eleitoralmente e alertam que o endurecimento das penas não garante a redução da violência. Segundo estudo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), dos 5.544 adolescentes que ingressaram no sistema socioeducativo em 2015, 23,9% retornaram ao sistema até junho de 2019. A taxa de nova condenação definitiva foi de 13,9%. Entre adultos, o retorno ao sistema de Justiça chegou a 42,5%. A advogada Gabriela Bemfica afirma que os dados demonstram os riscos do encarceramento como principal resposta à criminalidade. A professora Mariana Chies-Santos destaca que pesquisas internacionais não comprovam que reduzir a maioridade penal diminua a violência. Pelo contrário, jovens julgados como adultos podem apresentar maior reincidência. Segundo ela, aumentar a severidade das penas, isoladamente, tem efeito preventivo limitado. A certeza de identificação e responsabilização tende a ser mais importante.

Os especialistas também alertam que o ingresso precoce no sistema prisional pode romper vínculos familiares, prejudicar os estudos e aproximar adolescentes de organizações criminosas. Para o advogado Matheus Chiocheta, a redução representa o abandono da possibilidade de ressocialização. Ele defende o aperfeiçoamento das medidas socioeducativas, especialmente nos casos mais graves. A Constituição Federal estabelece, no artigo 228, que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis. Há divergências jurídicas sobre a possibilidade de modificar essa regra por emenda constitucional. Uma corrente considera a maioridade penal uma questão de política criminal. Outra entende que a garantia é protegida como direito fundamental, cuja abolição é vedada pela Constituição. Essa interpretação também se apoia no artigo 227, que assegura proteção integral às crianças e aos adolescentes, e em tratados internacionais. Pelo ECA, adolescentes a partir dos 12 anos podem receber medidas socioeducativas, como advertência, prestação de serviços, liberdade assistida, semiliberdade e internação. A internação pode retirar a liberdade do adolescente, mas deve ocorrer em estabelecimento separado do sistema prisional adulto e não pode ultrapassar três anos. Gabriela Bemfica considera que o modelo pode funcionar se houver aplicação efetiva das medidas e acompanhamento adequado. Os especialistas defendem investimentos em educação, profissionalização e atendimento psicológico para favorecer a recuperação dos jovens. O debate, portanto, contrapõe propostas de endurecimento penal às advertências de que o encarceramento de adolescentes pode aumentar a reincidência, em vez de reduzir a criminalidade.

 

CHINA É O NOVO DESTINO DE EMPRESÁRIOS E EXECUTIVOS BRASILEIROS


A China tornou-se o novo destino de empresários e executivos brasileiros em busca de inovação, substituindo gradualmente o Vale do Silício, nos Estados Unidos. Publicações no LinkedIn mostram visitas a empresas como Tencent, ByteDance e Alibaba, além de registros em cidades como Shenzhen, Xangai e Hangzhou. O número de missões empresariais à China cresceu, especialmente após a redução das exigências de visto para viagens curtas. Empresários visitam companhias, incubadoras de startups, centros de pesquisa e universidades para conhecer tecnologias e modelos de negócios. Para In Hsieh, empresário especializado em organizar essas viagens, o centro das novidades está migrando para o Oriente. Segundo ele, as visitas ao Vale do Silício perderam parte do apelo. Agências especializadas identificam uma procura crescente pela China, em um movimento que envolve executivos de diferentes setores. A StartSe organizou mais de 20 missões ao país em 2026, o dobro do número de viagens realizadas ao Vale do Silício. O aumento da demanda levou seu sócio Fabio Neto a se mudar para Xangai. As viagens custam a partir de R$ 36 mil e duram pelo menos seis dias, incluindo passagens, hospedagem, deslocamentos e visitas empresariais. Entre as empresas brasileiras participantes estão Ambev, Bradesco, McDonald's, iFood, Volkswagen e General Motors. Muitas delas enfrentam a crescente concorrência de companhias chinesas no mercado brasileiro. O vice-presidente da GM para a América Latina, Fabio Rua, afirma que é necessário aprender com os chineses. A montadora buscou conhecer o ecossistema de inovação do país.

As visitas incluíram empresas que utilizam inteligência artificial generativa, robótica e soluções avançadas de pagamento. Alibaba, ByteDance, Tencent, Xiaomi e Baidu estão entre os destinos mais procurados. Essas companhias atuam em diferentes áreas, combinando tecnologia, comércio, logística e serviços financeiros. Segundo os organizadores, a presença de gigantes chinesas no Brasil aumenta o interesse pelas viagens, pois elas podem ser concorrentes ou parceiras dos negócios locais. O movimento também se relaciona ao fenômeno chamado Chinamaxxing, expressão que define a crescente fascinação ocidental pela cultura, pelos hábitos e pelos avanços tecnológicos chineses. A tendência ganhou força nas redes sociais, com publicações sobre o cotidiano chinês e suas inovações. Nos Estados Unidos, a influência cultural chinesa também cresce, apesar da disputa tecnológica entre os dois países, especialmente na área de inteligência artificial. A velocidade dos avanços chineses levou a empresa de tecnologia Zup, adquirida pelo Itaú em 2019, a enviar 16 funcionários ao país em 2026. O vice-presidente Marco Bonas afirma que a equipe precisava observar de perto as novidades e entender como as empresas chinesas trabalham. Ele destaca a integração entre funcionários humanos e digitais e a rapidez na implementação de soluções. Antes, a companhia enviava executivos regularmente a feiras e missões nos Estados Unidos e na Europa. Agora, a China tornou-se destino obrigatório para conhecer novas tecnologias e modelos de negócio.