Um juiz federal dos EUA concluiu na quarta-feira (13) que o governo de Donald Trump provavelmente violou a lei ao deportar a colombiana Adriana Maria Quiroz Zapata para a República Democrática do Congo, apesar de o país africano ter recusado recebê-la. O juiz federal Richard J. Leon ordenou que o governo traga Zapata de volta aos EUA, em decisão considerada rara no contexto da política de deportações da gestão Trump. Segundo documentos judiciais obtidos pelo jornal The New York Times, a RDC havia informado ao governo americano que não poderia acolher a colombiana por questões médicas. Zapata, de 55 anos, sofre de diabetes, hiperlipidemia e hipotireoidismo. O Ministério do Interior congolês afirmou que não teria condições de oferecer tratamento adequado. Mesmo após a recusa formal, o governo americano realizou a deportação. Na decisão, o juiz afirmou que enviá-la à RDC foi “provavelmente ilegal”. A legislação dos EUA permite deportações para terceiros países, mas exige que o destino concorde em receber o migrante. O caso ocorre em meio à pressão da Casa Branca sobre o ICE e o Departamento de Estado para encontrar países dispostos a receber imigrantes impedidos de retornar aos seus locais de origem por risco de perseguição ou tortura.
O magistrado comparou o episódio ao caso de Kilmar Abrego Garcia, deportado equivocadamente para El Salvador no ano passado. Zapata afirmou ter fugido da Colômbia após sofrer estupros e agressões de um ex-companheiro ligado à polícia colombiana. Em 2025, um tribunal de imigração dos EUA determinou que ela não poderia ser enviada de volta ao país por risco de tortura. Atualmente hospedada em um hotel nos arredores de Kinshasa com outros deportados, ela relatou medo constante e disse permanecer trancada no quarto o tempo todo. O juiz determinou que o governo informe até sexta-feira (15) quais medidas adotou para trazê-la de volta aos Estados Unidos. Casos semelhantes têm ocorrido com certa frequência no governo Trump.
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