Ninguém suporta mais notícias sobre desequilíbrio fiscal, gastança do Executivo, pautas-bomba no Congresso e penduricalhos do Judiciário. Mas pouco se fala do custo real do petróleo e da guerra no Irã. É mais fácil defender cortes em despesas sociais do que discutir subsídios aos combustíveis fósseis, que somam cifras trilionárias no mundo. Sem contar o custo da ação militar dos EUA e de Israel contra o Irã. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o planeta gastou US$ 916,3 bilhões em 2024 para apoiar combustíveis fósseis —um terço do PIB brasileiro. O Fundo Monetário Internacional calcula US$ 725 bilhões em subsídios explícitos. Incluindo custos indiretos, como poluição e eventos climáticos extremos, o valor sobe em US$ 6,7 trilhões. Perto disso, o subsídio ao diesel promovido pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva parece pequeno: R$ 30 bilhões. Ainda assim, pesa em um país com déficit nominal de R$ 1,2 trilhão. O texto critica também o sistema financeiro e os privilégios políticos, mas volta ao foco ambiental: os combustíveis fósseis e a crise climática.
Embora o Irã represente ameaça regional, o autor afirma que interesses ligados ao petróleo e ao controle do Estreito de Hormuz ajudam a explicar o apoio de Donald Trump à estratégia de Benjamin Netanyahu. A guerra tende a frear a queda dos subsídios fósseis, que recuaram 11% entre 2023 e 2024. Só a operação militar “Fúria Épica” já teria custado US$ 25 bilhões, segundo o governo americano, podendo superar US$ 70 bilhões em estimativas independentes. O setor de Defesa dos EUA pediu orçamento de US$ 1,5 trilhão para 2027. O banco Goldman Sachs estima perda de 0,5% do PIB americano, enquanto o Nobel Joseph Stiglitz calcula prejuízo de US$ 3 trilhões. O artigo conclui que esses recursos poderiam ser investidos na transição energética e na redução da dependência de combustíveis fósseis.
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